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Santa Casa de Guaxupé reduz tempo de espera e supera superlotação no Pronto Socorro

17 de jul.
3 min de leitura
Programa do Ministério da Saúde, desenvolvido por meio do PROADI-SUS, reorganizou os fluxos de atendimento, melhorou indicadores assistenciais e será ampliado para outras áreas do hospital.


A Santa Casa de Misericórdia de Guaxupé concluiu a fase de implantação do programa Lean nas Emergências, iniciativa do Ministério da Saúde desenvolvida por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS). Após seis meses de trabalho, o hospital registrou avanços expressivos nos indicadores do Pronto Socorro, com redução dos tempos de espera, melhoria do fluxo assistencial, maior disponibilidade de leitos e controle dos episódios de superlotação.


Baseada nos princípios da filosofia Lean, a metodologia busca identificar gargalos, eliminar desperdícios, padronizar rotinas e tornar o atendimento mais ágil, seguro e eficiente. Na Santa Casa, o projeto promoveu uma revisão abrangente dos processos da unidade de Urgência e Emergência, envolvendo equipes médicas, de enfermagem, setores de apoio, regulação e gestão hospitalar.


Entre os principais resultados está a redução de 69,06% no Tempo Médio de Permanência relacionado aos pacientes que necessitam de internação, o que contribuiu para melhorar a rotatividade e a disponibilidade de leitos. O Tempo Porta-Médico, indicador que mede o intervalo entre a chegada do paciente ao Pronto Socorro e o início do atendimento médico, apresentou queda de 37,3%. Já o tempo total de permanência dos pacientes que recebem alta diretamente na unidade foi reduzido em 32,7%.


Os indicadores consolidados entre dezembro de 2025 e junho de 2026 foram apresentados pela coordenadora de Educação Permanente da instituição, Daniela Sousa. O tempo de espera para a realização de exames de tomografia computadorizada caiu de 450 para 61 minutos, uma redução de 86,4%.

O tempo médio de internação foi reduzido de 6,4 para 1,9 dias, favorecendo a rotatividade dos leitos e ampliando a capacidade de atendimento hospitalar.

Também houve melhora no índice NEDOCS, utilizado para avaliar o grau de superlotação nos serviços de emergência. O indicador caiu de 80 para 39 pontos, refletindo a estabilização do fluxo no Pronto Socorro e o controle dos períodos críticos de lotação. O Tempo Porta-Médico passou de 75 para 47 minutos, enquanto o tempo de passagem dos pacientes que necessitaram de internação diminuiu de 369 para 306 minutos. Entre os pacientes que receberam alta diretamente no Pronto Socorro, o tempo total de permanência caiu de 168 para 113 minutos. O tempo de espera por exames laboratoriais também foi reduzido, passando de 150 para 92 minutos.


Segundo Greice Santos, a implantação alcançou 97% de execução do plano de ação. O resultado foi obtido a partir da adoção de ferramentas de gestão e da reorganização das rotinas internas. Entre as medidas estão o Safety Huddle, formado por reuniões rápidas e diárias para o alinhamento de questões relacionadas à segurança assistencial, os rounds multidisciplinares, o uso do sistema visual Kanban no acompanhamento dos planos terapêuticos e a reorganização dos almoxarifados e postos de enfermagem com base na metodologia 5S.


Para a coordenadora médica do Núcleo Interno de Regulação, Dra. Nelzina Lara, os efeitos da implantação foram percebidos diretamente na organização do atendimento. “O Lean mudou nossa engenharia de processos e nos ajudou diretamente a reduzir a lotação e a organizar de forma inteligente cada ponto de cuidado”, afirmou.


A diretora clínica da Santa Casa, Dra. Caroline Maia, destacou que a padronização dos fluxos também proporcionou maior segurança, organização e agilidade ao trabalho das equipes médicas. A gerente de Enfermagem, Ana Letícia Gazarini, ressaltou o envolvimento dos diferentes setores na execução do projeto. “O sucesso foi coletivo. Agradeço imensamente a sinergia e a dedicação de todos os setores do hospital, que se uniram em prol de um fluxo mais eficiente”, declarou.


Para o superintendente da instituição, Rafael Olinto, o encerramento da fase de implantação representa a consolidação de uma nova cultura de gestão. “Os benefícios alcançados superaram as expectativas. Este é um projeto de melhoria continuada, uma cultura que se estabelece de vez na Santa Casa e que vai continuar a gerar frutos a longo prazo”, afirmou.


Diante dos resultados obtidos na Urgência e Emergência, a direção da Santa Casa decidiu ampliar a metodologia para outras áreas da instituição. O provedor do hospital, Dr. Angelo Lara, informou que o modelo será gradativamente adotado nos demais setores assistenciais e administrativos. “Este método, que foi aplicado com absoluto sucesso na nossa emergência, será ampliado para as demais áreas assistenciais e administrativas da Santa Casa de Guaxupé”, anunciou.


Com o encerramento da etapa presencial, o hospital inicia agora um período de quatro meses de monitoramento remoto, previsto no convênio. A nova fase terá como objetivo acompanhar a manutenção dos indicadores, avaliar a continuidade das medidas implantadas e consolidar a cultura de melhoria contínua. A expectativa é que os resultados alcançados no Pronto Socorro sejam preservados e ampliados, fortalecendo a qualidade da assistência prestada à população de Guaxupé e dos municípios atendidos pela instituição.

 
 
 

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