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Fernando Soler, o embaixador do tango argentino, celebra 30 anos de Señor Tango

há 37 minutos
6 min de leitura
Cantor, produtor e empresário, criador do Señor Tango construiu uma carreira que atravessou fronteiras e ajudou a projetar um dos maiores símbolos culturais da Argentina para diferentes países. Ao lado da esposa, Soledad Soler, ele recebeu a Revista Mídia em Buenos Aires para uma noite marcada também pela histórica relação com o público brasileiro
Ricardo Dias, Fernando Soler e Ariani Barboza (Foto: Assessoria/Señor Tango)
Ricardo Dias, Fernando Soler e Ariani Barboza (Foto: Assessoria/Señor Tango)

Por Ricardo Dias | De Buenos Aires, Argentina


Há quase três décadas, Fernando Soler está à frente de um dos endereços mais conhecidos do circuito de tango de Buenos Aires. Cantor desde a infância, produtor e empresário, ele transformou uma carreira construída nos palcos em um empreendimento que recebe visitantes de diferentes partes do mundo.


Criado por Soler e inaugurado em 1996, o Señor Tango, no tradicional bairro de Barracas, tornou-se uma das referências entre as grandes casas dedicadas ao gênero na capital argentina.


Ricardo e Ariani (Foto: Assessoria Señor Tango)
Ricardo e Ariani (Foto: Assessoria Señor Tango)

Na noite de sábado, 12 de setembro, Fernando e sua esposa, Soledad Soler, receberam o jornalista Ricardo Dias e sua esposa, Ariani Barboza, da Revista Mídia, para acompanhar uma das apresentações da casa.


A ligação com o Brasil pode ser percebida antes mesmo do início do espetáculo. Logo na entrada, fotografias e homenagens recuperam parte da história do Señor Tango e de personalidades. Entre elas estão três nomes especialmente caros aos brasileiros: Ayrton Senna, Pelé e Hebe Camargo.


No salão, o caráter internacional da casa se confirma. Naquela noite, brasileiros dividiam as mesas com alemães, bolivianos, colombianos, americanos, cubanos, italianos e visitantes de outras nacionalidades, um retrato do alcance conquistado pelo tango muito além das fronteiras argentinas.


Do primeiro concurso aos grandes palcos


A relação de Fernando Soler com a música começou ainda na infância, sob influência de seu pai, Julio Taccari.


Aos nove anos, venceu seu primeiro concurso em Bahía Blanca. Cinco anos depois, conquistou o primeiro prêmio no Primer Encuentro Musical de la Juventud Argentina. Aos 18, deu um passo decisivo na carreira ao integrar a orquestra de Héctor Varela, um dos nomes importantes da história do tango argentino.


Ao lado do cantor Jorge Falcón, Soler participou de uma fase de grande projeção da orquestra, com trabalhos que alcançaram discos de ouro e platina.

A carreira solo ampliou suas fronteiras. Fernando passou a se apresentar fora da Argentina e realizou turnês por diferentes países da América, Europa e Ásia. Japão, Canadá, Colômbia e Brasil estão entre os destinos registrados em sua trajetória.


Com o Brasil, estabeleceu uma relação particularmente próxima. Em novembro de 2002, o jornal argentino La Nación registrava que Soler preparava uma turnê de 45 dias pelo território brasileiro. Àquela altura, portanto, sua relação com o país já estava consolidada, muito antes da atual presença expressiva de turistas brasileiros em Buenos Aires.


A experiência acumulada nos palcos também levou Fernando à produção de seus próprios espetáculos.


Nasce o Señor Tango


Em 1989, Soler criou o Tango Mío, projeto que antecedeu a realização de uma ambição maior: ter sua própria casa de espetáculos. Em 24 de setembro de 1996, abria as portas o Señor Tango.


O local escolhido foi um edifício histórico da rua Vieytes, em Barracas, representativo da arquitetura do início do século XX. A construção foi recuperada e adaptada para receber uma grande estrutura de espetáculos, preservando características originais do imóvel.


O edifício seria posteriormente reconhecido pelo Governo da Cidade de Buenos Aires como Sítio de Interesse Cultural.


A partir dali, Fernando passou a reunir diferentes funções. Além de empresário e produtor, manteve a atuação como cantor e tornou-se uma das figuras centrais do próprio espetáculo.


A proposta combinou os elementos essenciais do tango com uma produção de grandes proporções. Orquestra ao vivo, cantores, bailarinos, coreografias, cenários, iluminação e figurinos compõem uma apresentação concebida para levar a cultura argentina a uma plateia cada vez mais internacional.


Ao longo dos anos, o endereço também recebeu personalidades mundialmente conhecidas. O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, o músico britânico Sting e, mais recentemente, o ator John Travolta estão entre os visitantes cuja passagem pelo Señor Tango foi registrada pela imprensa argentina.


Uma trajetória reconhecida na Argentina


A carreira de Fernando Soler ultrapassou os limites do palco e recebeu reconhecimento institucional em seu país.


Em 2006, sua obra e trajetória foram objeto de manifestação na Câmara dos Deputados da Nação Argentina. O documento oficial recupera sua formação artística, os primeiros concursos, a passagem pela orquestra de Héctor Varela, a carreira internacional e a criação do Señor Tango, destacando sua contribuição para a divulgação da música argentina dentro e fora do país.


O reconhecimento ajuda a dimensionar uma carreira na qual arte e empreendedorismo caminharam lado a lado. Mesmo depois de transformar o Señor Tango em uma grande operação voltada também ao turismo internacional, Fernando continuou fazendo aquilo que deu origem a toda essa história: cantar.


Uma homenagem ao Brasil


Na apresentação acompanhada pela Revista Mídia, a ligação de Fernando Soler com o Brasil ganhou um momento especial.


Em meio aos tangos e às coreografias que marcam a produção, surgiram os acordes de “Brasileirinho”, clássico composto por Waldir Azevedo e uma das obras mais conhecidas do choro brasileiro.


A interpretação foi recebida com entusiasmo pelos brasileiros presentes. Em um espetáculo profundamente identificado com a cultura argentina, a presença de “Brasileirinho” estabeleceu uma inesperada e bela conexão entre dois universos musicais.


Fernando fez questão de reafirmar essa proximidade ao conversar com a Revista Mídia. O cantor e empresário externou sua gratidão aos brasileiros e destacou a presença constante desse público nas apresentações do Señor Tango.


Soledad Soler também falou sobre essa relação.

É uma honra recebê-los no Señor Tango e poder retribuir todo o carinho que temos pelo público brasileiro”, afirmou em entrevista ao jornalista Ricardo Dias.


Fernando e Soledad


Esposa de Fernando e gerente-geral do Señor Tango, Soledad participa diretamente da gestão de uma casa que, às vésperas de completar 30 anos, continua apostando em renovação.


Durante a conversa com a Revista Mídia, ela antecipou que uma nova produção está em fase final de preparação.


Daqui a aproximadamente um mês estrearemos um novo espetáculo que está simplesmente fantástico”, revelou.


A novidade chegará em um momento simbólico. No próximo dia 24 de setembro, o Señor Tango completa três décadas de atividades, longevidade relevante para um empreendimento diretamente ligado ao turismo e ao entretenimento e que, nesse período, atravessou diferentes momentos da economia argentina e o fechamento provocado pela pandemia.


Buenos Aires para o mundo


A apresentação acompanhada pela Revista Mídia ajuda a compreender a dimensão alcançada pelo projeto criado por Fernando Soler.


No palco, uma orquestra ao vivo conduz músicos, cantores e bailarinos em uma produção de forte impacto visual. As coreografias alternam a sensualidade característica do tango com números de grande exigência técnica, enquanto cenários, figurinos e iluminação dão ao espetáculo uma dimensão grandiosa.


Nas mesas, ouvem-se diferentes idiomas.

Naquela noite estavam reunidos visitantes do Brasil, Alemanha, Bolívia, Colômbia, Estados Unidos, Cuba e Itália, entre outros países.


Essa diversidade talvez seja uma das melhores medidas do alcance conquistado pelo Señor Tango. Uma manifestação cultural surgida às margens do Río de la Plata e reconhecida pela Unesco, em 2009, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade continua encontrando novas plateias a milhares de quilômetros de sua origem.


Fernando Soler fez parte desse movimento durante praticamente toda a sua vida profissional. Primeiro, percorrendo diferentes países como cantor. Depois, criando em Buenos Aires um endereço para onde o público internacional pudesse vir ao encontro do tango.


O anfitrião


Fernando circula pelo Señor Tango com a familiaridade de um lugar que faz parte de sua história. Quando chega sua vez, sobe ao palco.

A cena resume uma trajetória iniciada ainda na infância.


Do primeiro concurso, aos nove anos, à passagem pela orquestra de Héctor Varela; das turnês internacionais à abertura do Señor Tango; do artista que percorreu o Brasil ao empresário que hoje recebe brasileiros em Buenos Aires, Fernando Soler construiu uma vida profissional indissociável do tango.


Na noite em que recebeu a Revista Mídia, voltou a agradecer ao público brasileiro pelo carinho de tantos anos.


As razões estavam por toda parte. Nas homenagens a Senna, Pelé e Hebe Camargo logo na entrada. Na interpretação de “Brasileirinho” durante o espetáculo. E, principalmente, nos brasileiros que novamente ocupavam as mesas do salão.


Durante muitos anos, Fernando Soler atravessou fronteiras para levar o tango argentino ao mundo.

Hoje, é o mundo que atravessa as portas do Señor Tango para encontrá-lo em Buenos Aires.



 
 
 

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