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Beto e Luis Guilherme colocam Guaxupé no mapa regional das motos elétricas

Pioneiros na região desde 2021, empresários transformaram uma aposta na mobilidade elétrica em uma operação que hoje vende, em média, 34 motos por mês e tornou-se referência nacional da Aima em estrutura, vendas e pós-venda

Luis Roberto Lima Dias, o Beto, e o filho Luis Guilherme, apostaram nas motos elétricas quando o segmento ainda engatinhava na região. Cinco anos depois, as vendas saltaram de quatro para 34 unidades mensais, a concessionária tornou-se referência nacional da Aima e uma nova frente de negócios começa a avançar pelas empresas e fazendas de café


Em 2021, começaram a trazer motos elétricas para Guaxupé, o desafio não era apenas vender um veículo diferente. Era convencer o consumidor de que havia futuro em um mercado que, na região, praticamente ainda não existia.


As primeiras vendas davam a dimensão da aposta: cerca de quatro motos por mês. Cinco anos depois, a média chegou a 34 unidades mensais. É um crescimento de aproximadamente 750% — ou 8,5 vezes o volume registrado no início da operação. O resultado ajuda a contar uma história que começou antes de a primeira moto elétrica chegar à loja.


Beto já acumulava uma longa trajetória no setor automotivo, com passagens por concessionárias de veículos e experiência, inclusive, na implantação de novas operações na região. Conhecia o mercado, a gestão de uma concessionária, as vendas e, sobretudo, o consumidor de automóveis.


Foi o filho quem lhe propôs uma mudança radical: trocar quatro rodas a combustão por duas rodas elétricas. Luis Guilherme acompanhava o avanço da eletrificação em outros países e estava convencido de que aquela transformação chegaria ao Brasil. A oportunidade, em sua avaliação, estava justamente em entrar antes de o mercado amadurecer. “Eu falava para ele que a mobilidade elétrica já estava explodindo lá fora e que isso chegaria ao Brasil. O que tínhamos condições de fazer naquele momento talvez não fosse mais possível fazer cinco anos depois”, recorda. A divisão de funções surgiu naturalmente. Luis Guilherme mergulharia na operação e na tecnologia. Beto colocaria no novo negócio a experiência administrativa construída durante décadas no mercado automotivo. A aposta deu certo.


Ser pioneiro significou também aprender enquanto o próprio mercado se estruturava. As primeiras motos chegaram de São Paulo em pequenos lotes: cinco unidades, depois outras cinco. Fabricantes, importadores, tecnologias e fornecedores ainda estavam sendo testados, enquanto o consumidor começava a incorporar ao vocabulário conceitos como autonomia, potência, ciclos de bateria e tempo de carregamento.



A empresa iniciou sua trajetória trabalhando com outra marca. Conforme as vendas cresceram, porém, pai e filho perceberam que precisariam de uma fabricante com escala industrial, desenvolvimento tecnológico e capacidade para acompanhar um mercado que começava a acelerar. Foi nesse processo que chegaram à Aima.


A mudança colocou a operação de Guaxupé em contato com uma companhia de dimensão global. A Aima Technology Group é uma empresa de capital aberto, negociada na Bolsa de Xangai. A escala ajuda a dimensionar o tamanho da indústria que passou a existir por trás da concessionária guaxupeana. Em 2025, a Aima comercializou milhões de veículos, entre bicicletas, motocicletas e triciclos elétricos. Os números colocam em perspectiva a dimensão global da fabricante que Beto e Luis Guilherme escolheram para sustentar a expansão iniciada em Guaxupé.


A companhia desenvolve tecnologias próprias relacionadas a motores, sistemas de controle eletrônico e gerenciamento inteligente dos veículos, além de manter uma ampla estrutura industrial dedicada à mobilidade elétrica. Para Beto e Luis Guilherme, era exatamente o respaldo que procuravam.


De Guaxupé à China


Em 2026, os empresários fizeram um percurso que simboliza a transformação do negócio. Cinco anos depois de buscarem pequenos lotes de motocicletas em São Paulo para testar um mercado praticamente desconhecido, pai e filho viajaram à China para conhecer de perto a estrutura industrial da Aima. A visita permitiu acompanhar linhas de produção, processos tecnológicos e a dimensão alcançada pela mobilidade elétrica em um país onde esse tipo de veículo já faz parte da rotina de milhões de pessoas.


Também aproximou ainda mais a concessionária brasileira da fabricante. E há uma particularidade nessa relação: Guaxupé deixou de ser apenas um ponto de venda da marca. A estrutura criada por Beto e Luis Guilherme tornou-se referência para a Aima no Brasil, desde a concepção do showroom até a organização da oficina e do pós-venda. O padrão adotado na cidade passou a servir de parâmetro para novas operações da rede.



O reconhecimento ganhou caráter oficial durante evento realizado em Interlagos, em São Paulo. A concessionária foi homenageada pela fabricante pelo desempenho alcançado, com destaque para o volume de vendas e para o trabalho desenvolvido em marketing, estrutura, assistência técnica e relacionamento com os consumidores. “Eles acompanham nossas vendas, as postagens, o conteúdo que produzimos, a forma como montamos a concessionária e principalmente a estrutura da oficina e do atendimento. Tudo isso contribuiu para recebermos essa homenagem”, explica Luis Guilherme.


Há uma inversão interessante nessa trajetória. No início, os empresários de Guaxupé procuravam referências para compreender um mercado novo. Hoje, a estrutura criada por eles tornou-se referência para quem chega ao negócio.


Outro sinal do crescimento da operação veio com uma iniciativa inédita para a concessionária: a Aima Guaxupé importou um contêiner com 95 motos diretamente da China, em operação realizada com a intermediação da Aima Brasil. A compra em escala representa uma mudança gigante em relação ao início do negócio, em 2021, quando Beto e Luis Guilherme buscavam pequenos lotes de cinco unidades em São Paulo.


Uma mudança que atravessou a região


O crescimento de quatro para 34 motos comercializadas por mês mostra que a transformação também ultrapassou os limites de Guaxupé. Consumidores de Muzambinho, Guaranésia, São Pedro da União e Poços de Caldas, além de outras cidades da região, estão entre os que mais adquirem os veículos comercializados pela empresa. Ao mesmo tempo, mudou o perfil de quem procura uma moto elétrica.


No início, o produto era associado principalmente a deslocamentos urbanos. Hoje, a variedade de potências, autonomias e configurações permite atender desde quem busca economia no trajeto diário até empresas interessadas em reduzir custos operacionais. E uma nova fronteira começa a surgir justamente onde a economia regional é mais forte: nas fazendas de café.


Da tomada para o cafezal


No Sul de Minas, o Aima Tank encontrou uma aplicação que aproxima a mobilidade elétrica da principal atividade econômica da região. O triciclo elétrico possui carroceria basculante com capacidade de carga de até 400 quilos. Sua configuração permite transportar ferramentas, insumos, caixas, materiais e pequenas cargas sem recorrer a um utilitário convencional movido a gasolina ou diesel. É uma característica particularmente interessante para a cafeicultura.




Em uma propriedade rural, boa parte dos deslocamentos acontece dentro da própria fazenda. São percursos relativamente curtos e repetitivos entre lavouras, terreiros, tulhas, depósitos e outras estruturas. Neles, um veículo não precisa necessariamente alcançar grandes velocidades; precisa carregar peso, enfrentar o trabalho diário e operar com baixo custo. É nesse cenário que a eletrificação começa a fazer sentido econômico.


Com carroceria basculante, abertura das laterais e da tampa traseira e capacidade para transportar 400 quilos, o Tank deixa de ser apenas um meio de locomoção e passa a exercer a função de um pequeno utilitário elétrico.


Para empresas, a lógica é semelhante. Operações que dependem de dezenas de deslocamentos internos ao longo do dia podem substituir parte do uso de veículos convencionais por um equipamento cuja energia vem da tomada e cuja arquitetura mecânica é consideravelmente mais simples. A concessionária já realiza demonstrações desse tipo de utilização e enxerga no campo uma das próximas fronteiras de crescimento da mobilidade elétrica regional.


Em Guaxupé, isso significa colocar uma tecnologia desenvolvida a milhares de quilômetros de distância para trabalhar justamente entre os cafezais.


A economia está na operação


O baixo custo de utilização ajuda a explicar por que a mobilidade elétrica começa a atrair não apenas consumidores individuais, mas também empresas e produtores rurais. Uma motocicleta elétrica elimina uma série de componentes presentes nos motores a combustão e, consequentemente, várias despesas recorrentes de manutenção. Não há troca de óleo do motor, vela de ignição ou diversos componentes mecânicos tradicionais.


Pneus e freios permanecem entre os principais itens de desgaste, enquanto motor elétrico, controlador e bateria exigem uma assistência de natureza diferente - mais eletrônica e menos mecânica. Quanto maior a utilização, mais relevante tende a se tornar essa equação.


Para quem percorre poucos quilômetros, a economia representa um benefício adicional. Para uma empresa ou uma propriedade rural que utiliza o veículo repetidamente durante a jornada de trabalho, o custo por quilômetro e a manutenção passam a fazer parte da análise do investimento. É justamente por isso que o Tank ganha relevância. A capacidade de transportar até 400 quilos amplia a discussão da mobilidade elétrica: deixa de ser apenas uma alternativa ao deslocamento pessoal e passa a entrar na logística cotidiana de uma empresa ou de uma fazenda.



Já para a cidade, a Aima X6 foi desenvolvida para quem deseja ir além das expectativas, unindo potência, tecnologia e design inteligente. Ideal para diferentes tipos de terreno, oferece agilidade, velocidade e uma experiência de pilotagem envolvente. Equipada com um motor de cubo de 3.000 W, entrega aceleração rápida e responsiva, atingindo velocidade máxima de 90 km/h e autonomia de até 85 km (ciclo WMTC). Seu sistema de interação humano-computador desbloqueia automaticamente ao se aproximar e trava ao se afastar, trazendo praticidade ao dia a dia. É a escolha ideal para quem busca performance, inovação e estilo em uma única scooter elétrica.


Uma oficina diferente


A menor complexidade mecânica não significa ausência de assistência técnica. A oficina também precisa mudar. Luis Guilherme passou por treinamentos especializados em São Paulo e continua investindo em capacitação voltada às tecnologias de mobilidade elétrica. Novos cursos estão previstos, inclusive com a possibilidade de treinamento diretamente na China. A especialização tornou-se um dos diferenciais da operação de Guaxupé.


O conhecimento envolve diagnóstico eletrônico, motores, controladores, sistemas elétricos e, principalmente, os cuidados com as baterias. Segundo ele, até a maneira de carregar o veículo influencia sua durabilidade. A orientação é conectar inicialmente o carregador à moto e, depois, à rede elétrica, além de evitar recargas sob exposição excessiva ao calor. Pequenos cuidados contribuem para preservar os ciclos de vida útil da bateria e o desempenho do conjunto. É um pós-venda que Beto conheceu durante boa parte da carreira, baseado em um princípio que permaneceu o mesmo: a venda termina na entrega do veículo mas a relação com o cliente, não.


Cinco anos à frente


Quando pai e filho decidiram entrar nesse mercado, ainda precisavam explicar ao consumidor como funcionava uma moto carregada na tomada. Hoje discutem baterias de lítio removíveis, diferentes faixas de potência, autonomia, formação técnica especializada e triciclos elétricos capazes de transportar 400 quilos dentro de uma empresa ou fazenda de café. A clientela atravessou os limites de Guaxupé e chegou com força a toda região, inclusive, os sócios planejam a abertura de concessionárias em outras cidades vizinhas.


Depois de uma carreira construída em torno de automóveis e motores a combustão, Beto encontrou um novo negócio justamente quando decidiu trocar quatro rodas por duas - e combustível por eletricidade. Luis Guilherme, por sua vez, apostou que uma transformação que já acontecia do outro lado do mundo inevitavelmente chegaria ao interior de Minas Gerais. E, em Guaxupé, encontrou quem já a esperava.


AIMA GUAXUPÉ

Avenida Conde Ribeiro do Valle, 1003 – Guaxupé/MG

Telefone: (35) 99217-7441




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