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Dom Inácio: canonização está em fase final



SÍLVIO REIS


Está previsto para novembro de 2021 a entrega de uma documentação investigativa sobre a vida de Dom Inácio João Dal Monte. É uma das últimas etapas do processo de canonização. Um representante do Vaticano retornará a Guaxupé para receber os documentos e participar da exumação do primeiro bispo enterrado na cripta da catedral diocesana.


Atualmente, duas equipes, investigativa e histórica, se reúnem uma vez por semana para ler e selecionar os principais documentos entre centenas de informativos coletados.


Segundo o padre Reginaldo Silva, nomeado juiz da causa, a beatificação poderá ocorrer de forma rápida, tanto por atender às virtudes exigidas por Roma quanto pela veracidade das informações disponíveis.


Assim, em breve, guaxupeanos poderão ter um “anjo”, que nasceu em uma fazenda de Ribeirão Preto, foi padre e bispo diocesano de Guaxupé, onde morreu e foi enterrado.


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Seleção documental


O início do processo de beatificação de Dom Inácio foi ágil. Em junho de 2017, o bispo Dom José Lanza Neto encaminhou ao Vaticano uma biografia do candidato a beato, para análise da Congregação para a Causa dos Santos, o órgão responsável por canonizações. Geralmente, a abertura de um processo leva um ano ou mais. Em apenas três meses, Dom Inácio obteve essa conquista e se tornou Venerável de Servo de Deus, em setembro de 2017.


A próxima etapa foi a visita, em Guaxupé, do postulador da causa, o filósofo Paolo Vilotta, e um padre de Roma. Os dois foram assessorados por um casal de brasileiros que participa de processos de beatificação no país: o ex-juiz Ronaldo Frigini e a advogada Ana Lúcia Frigini. Moradores de São João da Boa Vista, o casal entrevista até 45 testemunhas sobre a vida do(a) aspirante a santo(a).


Ainda nessa época, o bispo diocesano e o postulador romano escolheram uma equipe integrantes para investigar a vida de Dom Inácio e confirmar se ele possui todos os atributos compatíveis com a santidade. Em paralelo, uma comissão histórica atua em conjunto com os investigadores.


Até novembro de 2021, os envolvidos nesse trabalho vão ler centenas de informativos para selecionar o que será encaminhado à Congregação para a Causa dos Santos. As fotos seguirão uma ordem cronológica de vida, da infância à morte.


Diferentemente da agilidade inicial do processo, no Vaticano, a pandemia do coronavírus atrasou a investigação. Na época em que Dom Inácio era bispo, a Diocese tinha 56 paróquias. Hoje, grande parte está fechada e sem atendimento presencial. Mesmo assim, foi consultado o Livro Tombo de cada paróquia e coleta de relatos pessoais.


Em um dos depoimentos, a humildade generosa de Dom Inácio não o impediu de ser um bom negociante. Em nome da Igreja, o bispo pediu contribuições a um fazendeiro, que escolheu vacas magras para doação. O bispo justificou que para as obras de Deus deve ser oferecido o melhor. Assim, foram doadas as melhores cabeças de gado.


Em seu diário espiritual, Dom Inácio escreveu sobre o medo de ferir ao próximo. Fieis que conviveram com ele confirmam a prática de uma liderança religiosa sem imposição. Ele morava num palácio, mas levava uma vida extremamente modesta. Praticava a essência do Evangelho de viver com o mínimo. A troca de correspondências e depoimentos diversos reafirmam o desejo dele de se tornar santo.

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Virtudes e exumação

A exumação dos restos mortais de Dom Inácio foi agendada para fevereiro de 2018. O procedimento padronizado é que os restos mortais fiquem expostos em uma urna para visitação pública. Por não ter ocorrido essa exposição, repercutiu o comentário de que o corpo estava intacto.


Padre Reginaldo esclarece que um corpo intacto, após anos do sepultamento, não tem peso sobre o processo de beatificação: “Não é comprovação de santidade, mas pode ser um sinal de Deus, se a pessoa viveu como discípulo de Jesus.” São Francisco de Assis, que é uma grande referência santa, tem os ossos expostos para visitação. Por outro lado, corpos sem relevância espiritual histórica, se mantêm intactos anos depois da morte.


O caixão de Dom Inácio estava numa estrutura de zinco e foi transferido para outro túmulo. Padre Reginaldo não informou se o caixão foi aberto, mas adiantou que uma possível exumação deverá ocorrer na próxima visita do postulador da causa, Paolo Vilotta. Se o corpo estiver intacto, um outro procedimento, ainda indefinido, será tomado.


O mais importante na análise de canonização é que o candidato a beato tenha comprovadamente praticado sete virtudes:


- Virtudes teologais e cristãs: Fé, Esperança e Caridade.

- Virtudes humanas: Justiça, Fortaleza, Prudência e Temperança.


Além da comprovação dessas virtudes, o Vaticano receberá laudo médico sobre um milagre realizado por Dom Inácio, em relação à cura de um fiel. Por definição, um milagre é objetivo e direto, sem intervenção humana. Supera os limites da medicina na época do acontecimento. É quando Deus altera uma lei natural e faz um milagre por meio de alguém.


Os laudos médicos sobre um ou mais milagres de um aspirante a santo, como é o caso de Dom Inácio, serão analisados por peritos médicos no Vaticano, que darão um veredicto final.


Memorial provisório


A equipe investigativa e histórica continua recebendo fotos, cartas e outras memórias deixadas por Dom Inácio a seus fiéis. Parte desse material ficará exposto no Memorial Dom Inácio.

Diante das restrições financeiras geradas pela pandemia, foi adiado o projeto de ter uma casa próxima à catedral diocesana para construir o Memorial. Em caráter provisório, a cripta vai expor os registros históricos mais relevantes. O local receberá iluminação especial e aparatos apropriados para que as relíquias santas não sofram efeitos da umidade.


Tanto o Memorial provisório quanto o definitivo terão custos de produção e manutenção. Todo o processo de canonização de Dom Inácio tem sido viabilizado por doação de fiéis. É um investimento para a própria cidade e a comunidade religiosa.


Toda contribuição, via depósito bancário, é bem-vinda. Interessados podem depositar no Bradesco, Ag. 1.385, conta corrente: 4040-1. Outra forma de ajuda é adquirir souvenir, como velas e terços com a imagem de Dom Inácio, que são vendidos na catedral.


Por enquanto, a cripta é o ponto de encontro de um grupo de fiéis que todas as sextas-feiras oram pelo futuro santo. Até a pandemia, no local eram celebradas missas mensais, todo dia 29, data da morte de Dom Inácio. Para evitar aglomerações, as missas passaram a acontecer na catedral, que possibilita distanciamento entre os participantes.


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Monumento santo

Na visão do Pe. Reginaldo Silva, a beatificação de Dom Inácio vai trazer muito benefício espiritual, social e turístico para Guaxupé. A Diocese local já trabalha de forma preventiva para que a cidade ofereça estrutura adequada para receber romeiros e fiéis o ano inteiro.


Ciente dessa possibilidade, a prefeitura deve considerar que a atual infraestrutura não é suficiente para uma visitação diária de milhares de pessoas de todo o país e do Exterior. Estacionamento para centenas de ônibus e veículos de fora exige um planejamento urbano. Construção de banheiros públicos para enfermos, idosos e crianças é uma outra necessidade.


A prefeitura local recebeu uma proposta para ajudar a construir e manter um monumento de um Cristo Redentor no Morro Agudo. Seria mais uma estátua na região, como Poços de Caldas, Elói Mendes, Pouso Alegre, Tapiratiba e outros municípios próximos. Está em análise a construção de um monumento a Dom Inácio no Morro Agudo, para fortalecer o turismo religioso na cidade e região.


Profissionais da Causa


Duas equipes trabalham pela beatificação de Dom Inácio com diferentes atuações: os componentes da Causa e uma comissão histórica.


Juiz da Causa: Pe. Reginaldo Silva.

Promotor “in memoriam”: Pe. Henrique Neveston da Silva - faleceu meses depois de assumir a função, em 2018.

Dois notários (responsáveis pela documentação): Maria de Lourdes Sandroni e Rodrigo de Castro.

Dois teólogos analisam a causa: Hiansen Vieira Franco e Robson Inácio de Souza Santos.

Comissão histórica:

Presidente: Luiz Henrique Marques.

Integrantes: Pe. Clayton Bueno Mendonça, Sarah Martins Gabriel Isaac e os historiadores Wilson Ferraz e Inácio Abrantes.


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