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SÉRGIO MARQUES: de Juruaia para o telejornalismo brasileiro

O jornalista Sérgio Marques, de Juruaia (Fotos: Divulgação/TV Globo)
O jornalista Sérgio Marques, de Juruaia (Fotos: Divulgação/TV Globo)

Entre os muitos rostos que diariamente levam informação aos lares mineiros pela televisão, um deles carrega na voz e na forma de narrar as notícias a marca de quem veio do interior e nunca perdeu o vínculo com suas origens. Aos 31 anos, o jornalista Sérgio Eduardo de Souza Marques, conhecido do público simplesmente como Sérgio Marques, tornou-se um dos profissionais mais respeitados da nova geração do telejornalismo em Minas Gerais. Natural de Juruaia, no Sul de Minas, ele é hoje co-apresentador do MG1, telejornal exibido pela TV Globo em Belo Horizonte, onde conduz diariamente o noticiário do horário do almoço para todo o estado.


Formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Sérgio construiu uma trajetória marcada por sensibilidade narrativa, clareza na comunicação e profundo respeito pelo público — características que, ao longo dos anos, consolidaram sua presença como uma das vozes mais consistentes do jornalismo televisivo mineiro.

Mas muito antes dos estúdios, dos telejornais e das grandes coberturas, a história começa em um cenário bem diferente.


Infância entre tecidos, máquinas e comércio


Filho de uma auxiliar de enfermagem e de um agricultor, Sérgio cresceu em meio ao ambiente que transformaria Juruaia em referência nacional no setor de lingerie. Nos anos 1990, quando a indústria da confecção explodiu na cidade, sua família também ingressou nesse universo.

“Cresci literalmente dentro de uma loja de lingerie”, lembra. “Minha infância tem um som muito específico: o barulho das máquinas de costura, o cheiro do óleo quente e os rolos de tecido coloridos espalhados por todo lado.”


Enquanto os pais trabalhavam, o menino curioso circulava pelo espaço como se fizesse parte da equipe. Houve períodos em que ajudava a montar manualmente alças de sutiã, outros em que assumia o caixa com a seriedade típica de quem acredita estar desempenhando uma função importante. Em outros momentos apenas observava o movimento constante de clientes e costureiras.


Essa convivência precoce com o comércio e com o ritmo da cidade acabou formando algo fundamental para quem mais tarde escolheria o jornalismo: o olhar atento para as pessoas.


Juruaia também lhe ofereceu um senso profundo de comunidade — característica comum às cidades do interior. Foi ali que começaram as primeiras experiências com comunicação. Sérgio participava de apresentações escolares, escrevia pequenas peças de teatro, dirigia e atuava em encenações improvisadas. Sem perceber, começava a construir a confiança que mais tarde o levaria para diante das câmeras.


O primeiro contato com o jornalismo


A adolescência trouxe o primeiro encontro real com a profissão. Estudando na Escola Estadual Eduardo Senedese, em Juruaia, Sérgio participou do concurso EPTV na Escola, promovido pela afiliada da Rede Globo no Sul de Minas.


O tema da redação era ética. Ele escreveu o texto sem grandes expectativas. O resultado surpreendeu: a redação ficou entre as melhores da escola e avançou para a fase final, sendo escolhida entre as cinco vencedoras entre milhares de participantes.


O prêmio foi inesquecível para um adolescente de 13 anos: tornar-se repórter por um dia.

A equipe da emissora foi até a escola e ele gravou uma reportagem completa, realizando entrevistas, passagem diante da câmera e narração. Foi naquele momento que algo se consolidou.


“Quando eu vi aquele microfone na minha mão, entendi que era isso que eu queria fazer para o resto da vida.”

A fase entre

 Juruaia e Guaxupé


Pouco tempo depois, a rotina passou a incluir outra cidade importante em sua trajetória. Para cursar o ensino médio, Sérgio passou a estudar em Guaxupé, no Colégio Dom Inácio.

A distância entre as duas cidades exigia improviso diário. Como não havia transporte regular no fim da tarde, muitas vezes o retorno para casa dependia de caronas.

“Voltava em todo tipo de veículo possível. Picape velha, carro desconhecido… lembro de uma vez em que entrei numa Kombi de uma transportadora de bebidas e tive que escalar os engradados”, recorda.

As viagens constantes ampliaram seu horizonte e reforçaram o desejo de seguir carreira na comunicação.


Belo Horizonte e a formação na PUC Minas


Em 2012, Sérgio mudou-se para Belo Horizonte para cursar Jornalismo na PUC Minas. A decisão foi incentivada por uma amiga que acreditava que ele se adaptaria bem à capital mineira.

Sem parentes na cidade e praticamente sem conhecer o novo destino, decidiu arriscar. A aposta se mostrou acertada.


Durante a graduação, ingressou na PUC TV, emissora universitária da instituição. Ali viveu uma experiência decisiva para sua formação profissional. Atuou como repórter, apresentou telejornais e participou de programas esportivos, experimentando praticamente todas as funções dentro de uma redação e de um estúdio.


“A PUC TV foi minha primeira grande escola prática. Foi ali que percebi que aquilo realmente poderia ser minha profissão.”

A decisão que mudou o rumo da carreira


Formado em 2016, Sérgio viveu um momento profundamente marcante. Na semana da formatura, sua avó — figura central em sua vida — faleceu inesperadamente.

O episódio provocou um período de reflexão. Ele estava prestes a iniciar um trabalho em assessoria de imprensa, mas começou a repensar o caminho que queria seguir. Foi nesse contexto que decidiu tentar uma oportunidade na TV Aparecida.


Enviou currículo, vídeos produzidos na universidade e uma mensagem direta a um diretor da emissora. Pouco tempo depois foi convidado para um teste.


A prova consistia em gravar uma reportagem no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Coincidentemente, a gravação ocorreu em 26 de julho, Dia dos Avós, exatamente um mês após a morte de sua avó. A pauta surgiu naturalmente.


Algum tempo depois recebeu duas ligações no mesmo dia: uma confirmando sua aprovação no emprego de assessoria e outra anunciando que havia sido selecionado pela emissora. Escolheu a televisão.


Um Brasil percorrido em reportagens


Durante 11 meses na TV Aparecida, Sérgio percorreu diferentes regiões do país realizando reportagens sobre fé, cultura e história.


Foram viagens por cerca de 15 estados brasileiros, experiências que ampliaram seu olhar sobre o país e consolidaram sua identidade como jornalista.


Mesmo assim, ele continuava alimentando o sonho que havia nascido ainda na adolescência: trabalhar na Globo.


A chegada à TV Globo



A oportunidade surgiu de forma inesperada. Enquanto gravava uma reportagem em uma aldeia indígena na divisa entre Rondônia e Acre, recebeu um telefonema convidando-o para participar de um processo seletivo da Globo em Belo Horizonte. Ele voltou à capital mineira, participou das etapas e foi aprovado.

Na emissora, começou trabalhando no plantão da madrugada, entre meia-noite e sete da manhã — um período intenso em que acumulava funções de apuração e reportagem.


Durante quase dois anos viveu essa rotina, cobrindo desde ocorrências urgentes até grandes acontecimentos. Entre eles, a marcante cobertura do rompimento da barragem em Brumadinho, uma das maiores tragédias ambientais da história do país.


Algum tempo depois surgiu um convite interno para gravar um piloto de apresentação. O teste abriu um novo capítulo em sua carreira.


Sérgio passou a integrar o Bom Dia Minas, inicialmente apresentando informações sobre trânsito e previsão do tempo. Somando essa fase com os anos no plantão noturno, foram cerca de seis anos acordando ainda no meio da madrugada. Hoje ele é co-apresentador do MG1, telejornal exibido no horário do almoço para todo o estado.


Além da participação diária no jornal, também apresenta a transmissão do Carnaval de Belo Horizonte — evento que cresce a cada ano e se tornou um dos maiores do país —, já mediou debates eleitorais promovidos pelo portal g1 com candidatos da região metropolitana e realizou entrevistas com postulantes à prefeitura da capital mineira durante períodos eleitorais. Eventualmente também produz reportagens especiais exibidas em programas nacionais da emissora, como o Fantástico. Em uma dessas pautas, retornou a Juruaia para contar a história da maior calcinha do Brasil, inaugurada pela cidade depois do famoso maior sutiã, levando a identidade de sua terra natal para todo o país.


Apesar da projeção profissional, Sérgio costuma dizer que seu jornalismo é guiado por uma imagem muito simples: as pessoas que estão do outro lado da tela. “Muitas vezes penso nas minhas ‘senhorinhas’”, conta, referindo-se às mulheres mais velhas que acompanham diariamente os telejornais. Para ele, a missão do jornalista é tornar a informação clara e acessível. “A notícia não pertence ao jornalista. Ela pertence ao público.”


Essa visão nasceu também do apoio constante de sua família. Diferentemente do que ocorre com muitos jovens que escolhem a profissão, ele nunca ouviu dos pais qualquer questionamento sobre sua decisão. “Meu pai dizia com orgulho que eu seria o primeiro jornalista de Juruaia.”


Ao longo da trajetória, eles estiveram presentes em momentos decisivos — mudanças de cidade, viagens e até a organização de apartamentos quando novas oportunidades surgiam.


Juruaia, sempre presente


Apesar de viver em Belo Horizonte e trabalhar em uma das maiores emissoras do país, Sérgio mantém um vínculo profundo com sua cidade natal.


Costuma brincar que é parecido com a personagem Bozena, da série Toma Lá, Dá Cá: qualquer assunto vira motivo para começar uma frase com “lá em Juruaia…”.


É uma forma bem-humorada de reconhecer algo que permanece inalterado: por trás do jornalista que hoje apresenta telejornais para milhões de mineiros, continua existindo o menino do interior que aprendeu cedo a observar as pessoas, ouvir histórias e transformar curiosidade em narrativa.


E talvez seja justamente essa origem que dá ao seu trabalho uma característica rara no jornalismo contemporâneo: a capacidade de falar para o público sem nunca perder o tom de conversa.

 
 
 
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