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OTTO VILAS BOAS: a trajetória deste mineiro amante do café e do cooperativismo de Guaxupé


Otto Vilas Boas: uma vida dedicada ao cooperativismo (Fotos: Ricardo Dias)

Uma história que supera 6 décadas e dedicada a uma causa: o café. Otto Vilas Boas, no auge dos seus 88 anos, revisita sua própria história de vida, com todas as vicissitudes e conquistas. Mineiro de Guaranésia, viu em Guaxupé a chance de vencer profissionalmente. Embora não tenha cursado faculdade, a vivência diária com o mercado de café o fez um doutor quando o assunto é o ouro verde do Sul de Minas.


Em sua residência, situada no coração de Guaxupé de onde, do alpendre, enxerga-se a majestosa Catedral Nossa Senhora das Dores, o cafeicultor - e, atualmente, consultor em café - recebeu a reportagem da Revista Mídia. Cuidadoso em tempos de pandemia, somente retirou a máscara de proteção para ser fotografado e, mesmo assim, com um distanciamento seguro.


Nos recebeu trazendo consigo algumas edições desta Revista Mídia, da Revista Veja e, claro, um exemplar do livro de sua autoria,lançado em 2020, “Homem de fé, senhor em café”. Ele foi Superintendente de Comercialização da maior cooperativa de cafeicultores do mundo - a Cooxupé, algo que tem orgulho e satisfação de contar.


Nasceu na zona rural de Guaranésia, no bairro Bugio, em 4 de fevereiro de 1934, filho de Paulo Vilas Boas, falecido aos 104 anos, e de Ana Oliveira Vilas Boas, falecida aos 92 anos. “Éramos em sete irmãos: Geni (já falecida), Edson, Helvécio, Hugo, Gecy, Judith e eu. De minha mãe Ana, sinto muita falta, daquela que sempre nos foi tão presente, possuidora de um coração amoroso, além de católica fervorosa. Dela herdei princípios religiosos, morais e éticos - os quais procuro transmitir a todas às minhas gerações. Suas firmes e ternas palavras ainda ressoam aos meus ouvidos: filho, procure sempre andar com pessoas do bem, que sejam mais velhas que você e conte sempre com minhas orações”, recorda.


Ele conta que teve uma infância feliz. Lembra-se de montar cavalo para levar as encomendas da mãe até Santa Cruz da Prata, a Pratinha, e na volta, trazia as compras que precisava em casa. “Como era gostoso passar na venda do Sr. Job e Dona Rosinha para comprar doces e sorvetes”, diz.


Sua formação principal foi o primário e se recorda das professoras Sebastiana Coelho (nos Cardosos) e Jandira de Morais (no Bugio). “Éramos uma classe numerosa e, como fui um aluno muito dedicado, sempre auxiliava Dona Jandira nas tarefas de sala de aula. Aos treze anos mudamos para Guaranésia onde eu gostava de pescar. Naquela época, as águas eram limpas e com muitos peixes. Também gostava de torcer para o Vasco da Gama - como até hoje”.


Aos 14 anos, o menino Otto teve seu primeiro emprego. Foi contratado pelo Sr. Francisco Ferrucio e Dona Amélia, que tinham uma loja de autopeças na cidade. Otto conta que eles lhe ensinaram sobre o que é o trabalho. “Nesta época, tive um aprendizado muito valioso com o Sr. Arquimedes Oliva, contador da firma. Ele ensinou-me a fazer a escrita, que fiz como muito gosto durante os doze anos de trabalho na empresa. Me recordo também dos inseparáveis amigos Amilcar, Odélio, Valter e Januário! Nesta época chegaram formados em Economia e Contabilidade, Afonso Minchillo e Ranulfo Freitas, filhos de famílias tradicionais de Guaranésia, com os quais passei a trabalhar junto nas empresas que eles prestavam serviços. Posso afirmar, com certeza, que essas pessoas foram grandes colaboradoras para minha formação profissional”, pontua.


CASAMENTO



Foi dando volta em torno dos jardins das praças de Guaranésia que Otto conheceu a esposa Néia de Lourdes, em 1951. “Nos enamoramos e casamos cinco anos depois, em 1956. Tenho certeza de que se não fosse pela minha esposa Néia, não seria quem sou hoje. Foi prioridade, pelos valores que temos, a formação e educação de nossos filhos. Hoje sinto que todo esforço valeu a pena”.


O casal teve 6 filhos: Maria Emília, Regina, Silvânia, Sílvia, Otto Filho e Ana Emília. “São verdadeiros tesouros, abençoados por Deus”. Depois vieram os netos Adriane, Luiz Américo, Lívia, Juliana, Marcela, Bárbara, Carolina, Letícia e Thaís. Os bisnetos também já chegaram: Gabriel, Lucas, Felipe, Joaquim, Valentim e Matteo.


Uma das passagens mais tristes na vida deste profissional do café ocorreu há 41 anos, em agosto de 1981. O único filho, Otto Filho, sofreu um acidente rodoviário, quando seguia de carro para a cidade onde cursava faculdade. Ele, infelizmente, não resistiu aos ferimentos e faleceu, aos 20 anos. “Quando recebemos essa triste notícia da morte do nosso filho, nossas palavras - minha e de Néia - foram: “meu Senhor e meu Deus, Meu Senhor e meu Deus, meu Senhor e meu Deus, o nosso filho é vosso”, recorda emocionado.

A vida em Guaxupé


Otto Vilas Boas veio para Guaxupé e teve como porta de entrada o bar Cinelândia, adquirido por seu pai. Tempos depois, foi trabalhar na Cooperativa de Café, hoje Cooxupé, quando encontrou sua vocação profissional e descobriu seu amor pelo café.


“Através da Cooxupé participei de importantes cursos de formação profissional nas áreas de cooperativismo, economia e administração em tempos diversos. Tenho em minha memória o saber que me transmitiram Pierre Bonamezon, da Agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina, Mr. Lamim, economista suíço, Valdirio Bulgareli, professor em cooperativismo, e Dr. Celso Ferraz. Aprendi muito com eles sobre a essência do cooperativismo. Fiz da Cooxupé o meu maior ideal do ponto de vista profissional. Hoje sinto-me realizado e feliz vendo que ela se tornou a maior cooperativa de café do mundo, seja em número de cooperados, seja em produção de café”.


Neste ano Otto completou 60 anos de atuação na Cooxupé, atualmente como prestador de serviços na área de consultoria de mercado. Revela sua admiração pela empresa e alegria em vê-la avançar com credibilidade, solidez e sustentabilidade.


“Contribuí muito para uma história bonita e de sucesso. Procurei atender aos cooperados, respeitando o jeito de ser de cada um. Procurei auxiliá-los em suas necessidades que, se não fossem materiais, proporcionava algo muito valioso: a esperança de dias melhores. Com nossa equipe de trabalho, procurei sempre construir e fazer o bem, dando exemplos de vida simples, prática, justa e verdadeira, mostrando-lhes que nada resiste ao trabalho”


AUTOR DE LIVRO



Otto escreveu sua própria biografia e a publicou em setembro/2020 o livro “HOMEM DE FÉ, SENHOR EM CAFÉ” que reúne as memórias de suas experiências profissionais e grande parte da história do cooperativismo em Guaxupé. A publicação, de caráter histórico e cultural, é um presente para as gerações atuais e futuras, além de um legado e uma referência para a cidade. Trata-se de um rico conteúdo editorial resultado desses mais de 60 anos de trabalho de intensa vida profissional.


Sua trajetória traz capítulos que evidenciam as tradições familiares em Minas Gerais, o trabalho missionário pela fé, além de ensinamentos valiosos sobre cooperativismo e cafeicultura, frutos de sua atuação como um dos fundadores da cooperativa, além de suas experiências em entidades nacionais deste setor.

O atual presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, afirma que a história do trabalho de Otto Vilas Boas tem profunda ligação com a história da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé.


“Seo Otto, como é carinhosamente chamado por todos, ao longo destes anos como colaborador e, concomitantemente, associado, deixou-nos um legado indizível. Sempre com fé e esperança, incentivou com muito otimismo toda a classe produtora, mesmo diante dos cenários mais adversos que a comercialização de café já enfrentou durante esses anos”, afirma.


Para o presidente, a história do ex-superintendente é marcada por muita competência, capacidade de gestão e visão de mundo. “Uma de suas frases prediletas é: meu trabalho tem que gerar frutos. E gerou. Sua marca, até hoje, é lembrada por amigos e companheiros de trabalho e de lavoura: amanhã vai ser melhor do que hoje, dizia. É um homem incentivador de grande fé, com uma esplêndida trajetória, digna de amor e admiração”, ressalta Carlos Augusto.


LEGADO


Além de sua vasta e enriquecedora história, Otto diz que está deixando aos mais jovens um legado: o UAITES. Esse legado é um acrônimo, formado a partir da palavra mais repetida pelos mineiros: o uai. Ele explica:

“A letra “U” significa a União, a nossa união; ‘A’ vem de amor, amor pelo que fazemos aqui na terra; ‘I’ existe para lembrar da inteligência, que temos sempre de usar; ‘T’ é de trabalho, pois sem ele não seríamos nada; ‘E’ é fundamental, vem da palavra ética, ensinado por Aristóteles, e que devemos sempre perseguir; ‘S’ é o resultado de tudo, a solução para o significado de nossas vidas, o que viemos fazer aqui na terra”, explica.


Otto sempre diz que enfrentou a maior universidade do mundo que é a da vida vivida. “Tive mestres inesquecíveis como Dr. Isaac Ferreira Leite, João Carlos, José Ferraz, Dr. Sílvio, Sr. Olavo Barbosa, entre outros.


UM HOMEM DE FÉ


Ele também falou de sua fé inabalável em Deus e seu trabalho à igreja. Sua contribuição à igreja e ao povo de Deus se iniciou na década de 70, com Monsenhor Hilário e Monsenhor Marcelo, que foram seus formadores. “Nesses 50 anos muito contribuí junto aos senhores bispos e sacerdotes para a introdução dos seus movimentos e nas aberturas aos leigos na Diocese de Guaxupé. Participei do Movimento de Cursilhos de Cristandade do Brasil MCC, de Encontros de Casais com Cristo, Treinamentos de Jovens Cristãos, Renovação Carismática e, nos últimos 40 anos, como Ministro da Eucaristia”, enfatizou. E deixou um conselho: “quer construir o bem? Tenha sempre em sua companhia o Senhor! Meu legado maior é, sem dúvida, a minha vida literalmente dedicada à família, à igreja e à Cooxupé”, concluiu.


Um homem religioso e de fé, como é o título do primeiro livro da autoria dele. Mas, para os cooperados da Cooxupé, o legado de Otto se expande ainda mais e o reconhecimento por todo o trabalho por ele desenvolvido vem em forma de carinho, admiração e respeito. Não há pleonasmo em dizer que Otto é “senhor em Café”, mas sim, uma nobre referência a um nobre homem do café mineiro e brasileiro.

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