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OS FALCÕES: UM MARCO NA HISTÓRIA CULTURAL DE GUAXUPÉ

Rosângela Felippe, jornalista



Em junho de 2020, o Brasil comemorou os 50 anos do surgimento do movimento Jovem Guarda. Na época, Guaxupé deu uma valiosa contribuição ao ritmo denominado ‘Iê, iê, iê’ por meio de jovens que instituíram o grupo musical ‘Os Falcões’. Aproveitando o cinquentenário do estilo alegre que balançou todo o país, publiquei - em 30 de junho de 2020 - no grupo do Facebook ‘Guaxupé Destaca’, uma entrevista com o idealizador de ‘Os Falcões’, o músico e membro do conjunto Adecar Pasqua. Hoje, por sugestão do jornalista Ricardo Dias, publico nesta coluna da Revista Mídia a entrevista em homenagem aos músicos de “Os Falcões” que já nos deixaram como recordação de uma época de ouro em Guaxupé. Lembrando que, Falcão é o nome de uma ave de rapina a qual, segundo depoimentos literários, “trata-se de uma ave símbolo da realeza divina e da proteção. O Falcão empreendeu o voo cujas alturas não podem ser alcançadas por nenhum outro. Seus olhos fitaram o Sol e não foram queimados, pois é, ele próprio, a pura essência ígnea, a força solar que traz a ordem e a claridade depois do caos”.


Tristemente, o tempo tem levado embora esses nossos ídolos guaxupeanos. Recentemente, foi a vez de Abelardo Antonelli nos dar adeus, ele que ajudou a abrilhantar “Os Falcões” de maneira inesquecível.


Impossível não citar com grande emoção na introdução desta matéria um trecho de um dialogo que travei com Wilson Caetano (também integrante de ‘Os Falcões”), pouco tempo antes de ele partir. Assim disse-me o saudoso Wilson: “A ideia de criar o conjunto “Os Falcões” partiu, inicialmente, do Adecar Pasqua, conjuntamente comigo e com o Miguel, este guitarrista base que no início tocava gaita e violão. Logo depois, veio o Abelardo Antonelli, saxofonista; o Jurandir, cantor; o José Roberto (Cuíca), baterista; o Ângelus Distefanos (O Grego), baixista. Na sequência, vieram outros grandes músicos e amigos: Antônio Cesar Mantovani, Wilson Duque e a Cantora Joia Senedese, grande intérprete da Wanderléia.


Depois de lançada a ideia do conjunto, entre os amigos o entusiasmo foi geral. Mas como todo começo, foi muito sacrificante para todos. Porém, tivemos a sorte de ter ao nosso lado o Kleber Macedo, grande amigo e incentivador. A ideia da formação do conjunto era a de tocarmos em bailes, por isso, nunca nos preocupamos em gravar discos. Mas o conjunto “Os Falcões” alcançou repercussão nacional quando nos apresentamos na TV Excelsior (Canal 9), participando de um programa do Bolinha. Logo em seguida, fomos capa da Revista Intervalo, também de tiragem nacional, isto no ano de 1966. Com a repercussão do nosso trabalho na mídia, fomos convidados a tocar em um navio que iria de excursão para a Inglaterra durante a copa do mundo de 1966. Mas. como eu não sei nadar, recusei o convite. Infelizmente, na época nós não nos preocupamos em deixar registros gravados porque queríamos apenas tocar pelo simples fato de ser prazeroso. O sucesso foi uma consequência do nosso trabalho, mas não tínhamos grandes pretensões de vivermos financeiramente da música, tanto que, no auge do sucesso, cada integrante do conjunto foi seguindo rumos diferentes em suas vidas”, disse Wilson Caetano à época.


ADECAR PASQUA, em entrevista realizada em 30 de junho de 2020, foi o escolhido pelo destino para disseminar em Guaxupé o maior movimento musical já acontecido em nosso país, a Jovem Guarda. Um fato que mudou o comportamento e a maneira de pensar da juventude brasileira. Inspirado pelo novo ritmo, o jovem Adecar reuniu companheiros de música e formou aquele que foi o maior conjunto musical da nossa terra até os dias de hoje: “Os Falcões”.



Em 2020, quando a Jovem Guarda comemora os seus 50 anos de vida, o saxofonista Adecar, relembra com o Grupo Guaxupé Destaca essa fase marcante da história de Guaxupé.


Quem é Adecar Pasqua no cenário da vida? Eu sou uma pessoa que gosta muito do que faz. Gosto muito de trabalhar e quando faço alguma coisa eu me dedico bastante. A música eu nunca deixei de lado, sempre que posso faço algum trabalho musical.


A música em sua vida pode ser interpretada como escolha profissional ou somente como uma paixão de artista? Quando comecei com a música nos anos 50/60 ela era para mim as duas coisas. Eu sonhava em ser profissional, porém, nunca deixando de considerar a minha paixão pela arte da música propriamente dita. Então, eu não gostava de ser chamado de músico. Queria que me chamassem de artista porque, ao meu modo de ver, o músico é apenas mais um profissional, enquanto que o artista é um talento a mais.


A Jovem Guarda está comemorando os seus 50 anos. Você, sem dúvida alguma, foi o guaxupeano que na época mais contribuiu para que jovens, adolescentes e crianças da cidade participassem ativamente desse movimento ao idealizar e formar com amigos o conjunto “Os Falcões”. Antes do surgimento da Jovem Guarda você já planejava formar um grupo musical?

Sim, antes de a Jovem Guarda eu já planejava um grupo musical, não nos moldes dos que já existiam, eu queria inovar. Naquela época já existiam os grupos de chorinhos, boleros e sambas, mas eu queria algo mais. Era o meu sonho. Com o surgimento da Jovem Guarda alguma coisa veio de encontro ao que eu queria fazer, mas para ser sincero, nem tudo. Porém, eu abracei o movimento com muito carinho e procurei dar o máximo do que eu sabia fazer. Na época, eu recebi convites para participar de outros grupos musicais (em São Paulo) e também fazer um trabalho em uma telenovela em uma emissora paulista, mas eu me decidi a ficar por aqui com os meus parceiros do Conjunto Os Falcões de Guaxupé. Sobre esses convites eu nunca fiz comentários. (Eis ai dois segredos revelados por Adecar ao Grupo Guaxupé Destaca. E que segredos maravilhosos!).



Ao você se aderir ao movimento da Jovem Guarda certamente pôde acompanhar os valores da juventude da época em Guaxupé. O que difere no comportamento dos jovens guaxupeanos da época com os de hoje? Naquela época, os valores, a família, a escola,a amizade e a igreja eram mais marcantes. Sinto que quase tudo isso hoje está mais disperso, porém, os jovens são sempre “jovens” e precisam muito da nossa atenção. Resumindo, não mudou muito não. O que mudou é que os meios de informação aumentaram muito e estão influenciando cada vez mais. É preciso muito cuidado para com a nossa juventude.


Falar na época da Jovem Guarda também nos faz voltar aos tempos da ditadura militar no país. Como pensavam os jovens guaxupeanos sobre o regime político daqueles tempos? Afinal, você era um desses jovens e deve lembrar-se muito bem.

Eu observava que os jovens não eram muito politizados. Eu tinha alguns amigos muito influenciados e até envolvidos com movimentos que rejeitavam a ditadura, mas eu não me envolvia, assim como a maioria dos meus amigos também não. Os nossos sonhos e os nossos esforços por uma vida melhor eram maiores do que tudo.



Você sempre estudou e se dedicou à música buscando aprender com mestres conceituados como o Sr. Aurélio Gomes Vieira, grande musicista que lecionou em Guaxupé nos anos 50/60. Assim, além da Jovem Guarda, quais são os outros gêneros musicais que você e o seu saxofone adotaram em seu desempenho como músico?

Além da Jovem Guarda, eu tocava gêneros românticos, bossa nova e musica internacional.


Você teria em mente montar uma escola de música bem aprimorada em Guaxupé? A cidade comporta um investimento como esse?

Montar uma escola de música em Guaxupé ainda é um sonho muito bonito e a cidade comportaria um investimento desses. Porém, teria que ser, como você mencionou, muito bem aprimorada.


Qual é a dimensão da sua fé em Deus?

Rosângela, acima de tudo DEUS. Sou cristão convicto. Nada faria sentido na vida sem DEUS e sem JESUS.


Quanto à fórmula da felicidade. Você criou a sua?

A felicidade é algo íntimo. Nenhum de nós será feliz se não for feliz consigo mesmo. Eu nunca procurei a felicidade em relacionamentos ou em outras pessoas. Temos que ser felizes conosco mesmos para fazermos felizes os que estão em torno de nós.


Por favor, deixe um recado aos membros do Grupo Guaxupé Destaca seja qual for o sentido, desde que venha do fundo de sua alma.

Eu desejo que todos os membros do Grupo Guaxupé continuem com esse entusiasmo por nossa cidade. Que distribuam sempre muito otimismo e alegria de viver, com muita confiança no passado, no presente e no futuro. No passado porque é de lá que viemos e pelo passado somos o presente. E pelo presente, porque o presente bem vivido está construindo o nosso futuro. Um grande abraço para todos e para a nossa Cidade Maravilhosa que é Guaxupé. Muita saúde, muita paz e muita prosperidade.


Produzido por: Grupo

Guaxupé Destaca

Jornalista: Rosângela Felippe

Fotos: Redes Sociais


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