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O ADEUS A NABIH ZAIAT


No mesmo horário em que começa o programa mais longevo da história do rádio brasileiro, o Radiolar, ao meio-dia, seu idealizador, Nabih Zaiat, faleceu, nesta sexta-feira, dia 2, aos 93 anos, em Guaxupé.


Há alguns meses o maior radialista da história de Guaxupé e um dos maiores do País vinha lutando com as várias complicações de saúde. Resistiu bravamente e nesta tarde se despediu da cidade e de todos aqueles que o acompanharam, incansavelmente, nas ondas dos 1430 Khz.


Décadas à fio, sempre ao meio-dia impreterivelmente, a Rádio Clube de Guaxupé coloca no ar o programa “Radiolar, a revista social da cidade”, era apresentado por um locutor de voz rouca, suave, bem modulada e que prende a atenção do ouvinte do começo ao final do programa. Afinal, todos queriam saber “o que vai pela cidade”, os aniversariantes do dia e dedicar aquela música a pessoa querida. E ele estava sempre “às suas ordens” para fazer aquela dedicatória e tocar aquela música preferida do ouvinte. Trata-se de uma das personalidades mais admiradas de Guaxupé, o comunicador Nabih Zaiat.


Neste úlitmo dia 1º de junho ele completou 71 anos à frente a Rádio Clube de Guaxupé, a qual dirigiu com obstinação. No estúdio onde fez seu programa, fotos remontam essa história de lutas e perseverança que o colocou entre os grandes nomes que Guaxupé produziu no segmento comunicação.


Nabih foi reportagem de capa da Revista Mídia em maio de 2011

Filho do casal de libaneses Elias Zaiat e Angelina Elias, por ser o filho mais velho, Nabih sempre ajudou o pai nos afazeres da sapataria da família e também na manutenção da casa. Afinal, eram mais 7 irmãos e a tarefa não era fácil. “Nasci na Rua São Caetano, a rua das noivas, bem no centro de São Paulo. Na minha infância trabalhei com meu pai, que tinha uma sapataria. Mas não gostava de fazer sapatos. Gostava mesmo era de fazer chuteiras argentinas que foram um sucesso”, contou em entrevista à Ricardo Dias, a qual foi reportagem de capa em maio de 2011.


Ele tinha outro ofício: o de fazer bolas de futebol. “Um dia cismei de consertar um bola de futebol de válvula que havia descosturado. Levei-a para a sapataria para tentar costurar. Vi que a bola era toda costurada internamente. E como se arrematava? Esse era o grande problema! Mas descobri o segredo e o pessoal parava em frente a sapataria só para me ver arrematar a costura das bolas!”. Nabih se entusiasmou com a produção de bolas de futebol, afinal o esporte sempre uma de suas paixões. Foi diversas vezes para São Paulo buscar matérias-primas, como os melhores couros – chamado vaqueta cromada -, para produzir suas bolas. Ele chegou, inclusive, a patentear como “Big Ball”. Depois começou a comprar e vender ferro velho, já com Kaled Cury. “E foi nesta época, na década de 40, que eu e Kaled começamos com a mania de irradiar futebol durante o trabalho. Era uma brincadeira nossa e nunca pensamos em rádio”.


O primeiro contato de Nabih Zaiat com um microfone aconteceu no Cine São Carlos. Ele contou que era muito amigo do pessoal do cinema, como Lotinho e Carlinos Prósperi. "Um dia eles me pediram para anunciar um baile que ia acontecer na cidade. Quem estava fazendo a locução era o Jaime Gerônimo, que disse que era para eu mesmo fazer o convite ao microfone. E foi essa minha primeira locução”.


Zaiat contou que a Rádio Clube de Guaxupé foi inaugurada em 13 de novembro de 1947 e ele nem convidado foi.


“Nem se lembraram de mim”, disse em meio a sorrisos. Da inauguração até 1951, a rádio foi passando de mão e mão até chegar nas mãos - e nas vozes - certas: as de Nabih e Kaled Cury. “Surgiu a ideia e a oportunidade de arrendarmos a rádio. Mas éramos dois jovens e nos pediram um fiador. Conseguimos dois fiadores e, desta forma, em 1º de junho de 1951, assumimos a Rádio Clube de Guaxupé”, explicou.


Desde o primeiro domingo após assumirem a direção da emissora, já houve a transmissão da primeira partida de futebol na cidade. A dupla também inovou ao trazer para Guaxupé um dos primeiros microfones sem fio fabricados no Brasil. Nos aniversários da Rádio, sempre artistas de renome nacional eram trazidos para um grande evento.


Em 1954, houve eleições e também desentendimentos entre Nabih e alguns dos proprietários da emissora.


“Afastei-me da rádio e comecei a trabalhar com eventos. A Organização Nabih Zaiat apresentou em Guaxupé Nelson Gonçalves, Gregório Barrios, Herivelto Martins, dentre outras estrelas da época. Também mantinha meu carro volante nas ruas. Era um Chevrolet 1936 e um equipamento de primeira qualidade. Graças a Deus nunca passei vergonha nesse ramo e daí para frente fui me acentuando cada dia mais”.


Mas a rádio nunca saiu dos planos de Nabih Zaiat. Em 1958, mais uma vez colocaram a Rádio Clube de Guaxupé à venda. Naquela época foi adquirida pelos irmãos Perillo e Bianchi, que vieram de São Paulo. Nabih pensou que o sonho de comprar a emissora tivesse terminado. Mas os irmãos não conseguiram administrar a rádio e meses depois foram embora. Nabih Zaiat voltou então a se interessar pela rádio que lhe foi oferecida por um milhão de cruzeiros, a moeda da época, sendo uma entrada e o restante dividido em prestações. “Onde é que eu ia arrumar os 350 mil cruzeiros para dar de entrada?”, indagou à época o radialista.


Mas a busca do sonho falou mais alto e Nabih pegou emprestados 250 mil cruzeiros e o restante veio de suas economias e de um empréstimo bancário. “Tudo na base do peito e na confiança. Desta forma, assumimos, definitivamente, a Rádio Clube de Guaxupé”, disse. Acostumado com o comércio, devido a vivência na sapataria com o pai, Zaiat foi para as ruas vender publicidade para a rádio. “E assim fomos deslanchando. Caí na praça pois a máquina eu já tinha e agora eu tinha que pagá-la! Todo dinheiro que entrava era para pagar a parcela do valor financiado da emissora e o pouco que sobrava a gente compra equipamentos novos. Ainda quero fazer um museu da rádio com todos os equipamentos que temos guardados aqui”, afirmou.


Durante esses 60 anos de existência a rádio passou por várias remodelações entre elas, troca de transmissor, mesa de som e sistema de áudio e hoje possui a mais moderna aparelhagem para radiodifusão existente no mercado. No inicio trabalhava com o prefixo ZYN-5, passando a ZYF-45 e mais tarde ZYL-239 que permanece até os dias de hoje. A frequência também sofreu mudanças com o passar do tempo e a evolução dos equipamentos, 1.570 Khz, 1.430 Khz e atualmente opera na Frquência Modulada (FM). A Rádio Clube é um marco na história de Guaxupé e região onde durante todos estes anos prestou relevantes serviços de informação à comunidade, uma comunidade composta de mais de 500 mil pessoas num raio de ação de 150 quilômetros.


“Este pioneirismo é um orgulho e a cada dia nos sentimos realizados pelo trabalho desenvolvido. Somos uma emissora sem qualquer vínculo político-partidário sendo este o motivo de total independência tanto nas informações oferecidas quanto na liberdade de expressão, ficando comprometida apenas com a realidade dos fatos. Durante todos estes anos, acompanhamos as mais diversas situações que fazem parte do dia-a-dia de uma emissora de Rádio. As reportagens marcaram visitas de Presidentes da República, Governadores, Deputados, posse da maioria dos Prefeitos e Vereadores da cidade, inaugurações da mais alta importância para o município que até hoje fazem parte do acervo de nossa emissora. Nele mantemos também todos os equipamentos desde a fundação ate os dias de hoje. Fotos dos principais fatos que marcaram a nossa história, os famosos programas de auditório das décadas de 50 e 60, shows promovidos onde se apresentaram artistas de renome internacional da época. Mantemos ainda todos os discos de 78 rotações que somam mais de 7 mil unidades, 20 mil LPs e uma infinidade de fitas onde estão registradas as reportagens. Este acervo está sendo todo catalogado e regravado em equipamento digital afim de perpetuar esta história”, disse Nabih.


Para o radialista, tudo o que ele pode fazer para favorecer a emissora foi feito.


“Nunca nos furtamos da missão de grande prestadora de serviços para Guaxupé. Nossa rádio é muito querida pelos guaxupeanos e isso a gente comprova nas ruas. Onde vou as pessoas me abraçam e me agradecem pelo trabalho que fazemos. Isso nos emociona. Nossa história é que mantém esse carinho e amor da comunidade pela rádio"
(NABIH ZAIAT)

Mas a reportagem não foi finalizada antes de uma pergunta que muitos tem curiosidade de saber a resposta: qual é o perfume do Nabih Zaiat? Ele respondeu. “É uma colônia importada da Espanha, que se chama Promesa Myrurgia e que me acompanha por toda a vida", disse.


Para o jornalista Ricardo Dias, editor desta Revista Mídia, é uma perda intangível.


"Hoje amanheceu mais triste com a partida deste grande amigo de Guaxupé, Nabih Zaiat. O rádio norteou sua vida e sua vida é a história do rádio. Perdemos muito com sua partida. Ganhamos muito com seu legado", disse.


O prefeito de Guaxupé decretou luto por 3 dias no município.


Nabih deixa a esposa Waldete, os filhos Marta, Ricardo e Maurício, noras, genros e netos, além de muita saudade.


À família, a homenagem desta Revista Mídia e ao querido Nabih Zaiat o aplauso de toda uma cidade chamada Guaxupé


O velório acontece na capela do Lar São Vicente e o sepultamento ocorre neste sábado, dia 3 de dezembro, às 11 horas da manhã, no cemitério da Praça da Saudade.

Esta reportagem está em atualização.



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