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MARIA INÊS SILVA DE SÁ MOLIN: HOMENAGEM A ESTA EDUCADORA QUE É EXEMPLO DE HUMANITARISMO

Rosângela Felippe, jornalista



Ela nasceu predestinada ao ensino. Maria Inês de Sá Molin, ainda muito jovem, formou-se normalista pelo Colégio Imaculada Conceição. Cresceu vendo o pai, professor Sebastião de Sá, sempre empenhado com a cultura e a educação e, sua mãe, Dona Isabel Silva de Sá, dando aulas de Artes no Ginásio Estadual.

Após ter se formado pela UNIFEG, na época FAFIG, frequentou, também, a Faculdade Teresa Martim, em São Paulo. Maria Inês é diplomada em Geografia e Pedagogia com especialização em Orientação Educacional, Inspeção Escolar, Administração Escolar e Supervisão Escolar.


Mãe do músico João Paulo de Sá Molin e da Fisioterapeuta Ana Isabel de Sá Molin, foi casada com o saudoso Paulo Molin, grande intérprete da canção brasileira e profissional ativo no setor da comunicação.


É, também, avó de três meninas: Isabella, Maria Eduarda e Maria Clara, recém chegada ao mundo.


Hoje, mesmo aposentada, é lembrada com carinho pelos ex- alunos, não somente pelo seu vasto conhecimento como professora, mas pela forma gentil, calma e atenciosa como sempre tratou a todos.


Temperamento calmo, igual à sua mãe, Maria Inês hoje é o ponto onde se concentra toda sua família: o médico Dr. Marcos Felipe Silva de Sá, o engenheiro Dr. Sebastião Silva de Sá e os sobrinhos que a consideram com respeito e admiração. Nêis, como é mais conhecida por todos, nunca se esquece dos irmãos que já partiram: Fernando Silva de Sá e José Felipe Silva de Sá, ambos muito queridos que deixaram grande vazio em seu coração. Segundo costuma dizer: “a saudade que sinto deles não cessa”.


Sendo o mês de outubro dedicado aos professores, neste ano foi escolhida por esta coluna como símbolo educacional de Guaxupé, representando a todos os educadores da cidade como forma de homenagem a esses incansáveis e dedicados profissionais.


DA INFÂNCIA, QUAIS AS LEMBRANÇAS LHE SÃO MAIS QUERIDAS?

Guardo as lembranças dos encontros familiares, sobretudo na casa da avó materna; as crianças vizinhas e as férias na casa da Tia Júlia e Tio Jorge Corrêa, em Biguatinga, onde nos reuníamos com alegria e espalhávamos colchões por todos os cômodos da casa para dormir. Éramos todos muito alegres, tanto as crianças quanto os adultos. Havia harmonia e paz. Minha família é muito numerosa, tanto por parte de pai quanto de mãe. Sempre fui muito ligada a todos, fazendo questão de um relacionamento contínuo. Graças a Deus me relaciono muito bem, com ambas as partes.


COMO FORAM SEUS TEMPOS DE ESCOLA NO COLÉGIO IMACULADA CONCEIÇÃO?

Os meus tempos de escola, todos foram essenciais para toda a minha vida. Colégio Imaculada Conceição foi realmente um farol a guiar os meus passos sob os aspectos da moral, ética e vida cristã. Sou muito católica e frequento missas com regularidade.


VOCÊ PRESENCIOU E PARTICIPOU DE UMA DAS ÉPOCAS MAIS PRAZEROSAS DA CIDADE. TRACE UM PANORAMA DESSES ‘ANOS DOURADOS’.

Anos dourados para mim: as amizades, as quais muitas perduram até hoje. Tudo era motivo de festa: os aniversários, as voltas na avenida, o cine São Carlos, as brincadeiras dançantes, os bailes, em especial, os da Festa das Orquídeas, os desfiles em datas cívicas e as excursões da escola. Hoje, noto que os padrões de comportamento mudaram de forma radical. Para acompanhar tudo isto só com muito bom senso.


SENDO FILHA DE UM CASAL DE PROFESSORES, DONA BELA E SR. ZIZINHO, FOI O QUE LHE MOTIVOU A SE TORNAR PROFESSORA?

Inconscientemente acho que sim, nunca pensei em outra carreira. Também, naquela época, geralmente, as meninas ficavam por aqui em Guaxupé mesmo. Tive a sorte de surgir a FAFIG, hoje UNIFEG, onde me ingressei na primeira turma e fiz o curso de Geografia indo, depois, estudar fora da cidade, em São Paulo, onde cursei mais uma faculdade, a Teresa Martim.




OS ENSINAMENTOS QUE LHES FORAM DADOS PELA FAMÍLIA VOCÊ CONSEGUIU TRANSMITÍ-LOS AOS SEUS FILHOS?

Sim. Sempre aprendi que educar é também pelo exemplo. Partindo deste princípio, até hoje, procuro me posicionar nessa questão. Não basta falar, é preciso mostrar como se faz.


VOCÊ LECIONOU EM VÁRIAS ESCOLAS E FOI DIRETORA TAMBÉM. COMO FOI ESSA TRAJETÓRIA?

Trabalhei como professora no Parque Infantil e na Escola Estadual Doutor Benedito Leite Ribeiro. Como Orientadora Educacional, atuei na Escola Estadual Doutor Benedito Leite Ribeiro, no Grupo Escolar Professor José de Sá e no Colégio Objetivo.


QUANDO OCORRE REENCONTRO COM EX-ALUNOS, É POSSÍVEL NOTAR RECONHECIMENTO POR PARTE DELES?

Graças a Deus, noto sim, um grande reconhecimento. Tornaram-se meus amigos. Fico muito feliz quando os encontro e, sempre que possível, ‘rola’ um bate papo repleto de saudade e muito descontraído. É gratificante vê-los já no mercado de trabalho, cada qual desempenhando a sua função com muita responsabilidade.


HOJE, VOCÊ NOTA MUDANÇAS NO COMPORTAMENTO DOS ESTUDANTES QUE SE CHOCAM COM A SUA FORMAÇÃO?

Percebo mudanças sim. Hoje, o desinteresse, a intolerância e a violência estão presentes nas escolas. Porém, acho que não iria me chocar. Penso que, a possível solução seria uma nova adequação, mais criatividade e conduzir os educandos com uma sistemática parceria com a família.


COMO FOI TER SIDO CASADA COM O ARTISTA E COMUNICADOR PAULO MOLIN?

Foi uma convivência tranquila. Ele se adequou muito bem ao meu esquema e eu sempre procurei fazer o mesmo. Tínhamos temperamentos bem diferentes. Porém, isso não impediu que o nosso relacionamento fosse harmonioso.


QUANTO AO SEU PAI, COMENDADOR SEBASTIÃO DE SÁ, JORNALISTA E PROFESSOR CONCEITUADO, DE QUE FORMA ELE DEIXOU MARCAS EM SUA VIDA?

Meu pai foi o meu porto seguro; aprendi muito com ele. Ele tinha uma visão de tudo, muito a frente do seu tempo. Ele foi a melhor Escola na minha vida.



DONA ISABEL SILVA DE SÁ, A DONA BELA, HAVERIA OUTRA IGUAL NO MUNDO?

Dona Bela, uma só nesse mundo. Aprendi muito com ela também, sobretudo, o respeito, a paciência, a tolerância e o amor à família. Tanto que, quase sem perceber, assim como ela, tornei-me matriarca. A vida me ofereceu isso. Graças a Deus, tenho bom convívio com meus irmãos, cunhadas e sobrinhos.


A ‘FOLHA DO POVO’, JORNAL MAIS TRADICIONAL DA CIDADE DURANTE DÉCADAS E FRUTO DE MUITA DEDICAÇÃO DO SEU PAI. COMO FOI ENCARAR O FINAL?

Encerrar o Jornal Folha do Povo foi uma tarefa muito difícil. Foram 75 anos de muita luta. Com a morte do meu pai, encampamos a ideia de prosseguir para preservar o propósito de servir a cidade, mesmo com as inúmeras dificuldades que se foram apresentando. Sempre contamos com a ajuda de inúmeros colaboradores. Quanto aos patrocinadores, pudemos contar com alguns que nos ajudaram com imensa fidelidade. Mas mesmo assim, não nos foi possível caminhar com a necessária renovação tecnológica.


FALE SOBRE SUA VIDA COM OS FILHOS E AS TRÊS NETAS.

João Paulo, desde pequeno, foi muito ligado à música e também voltado para outras áreas. Fez escola Agrotécnica e cursou, por algum tempo, veterinária. Diante disso, não me surpreendeu. Ele é versátil.

O meu relacionamento com a Ana Isabel se estende por quase 24 horas ao dia. Moramos próximas e o telefone funciona em todos os intervalos do seu trabalho, o qual ela se dedica com muito carinho e competência.

Tornar-me avó tem sido uma experiência maravilhosa ao lado de Isabella e Maria Eduarda. No mês passado chegou Maria Clara, um novo despertar da vida.


O QUE VOCÊ PODERIA SUGERIR PARA QUE GUAXUPÉ VOLTASSE A SER UMA CIDADE TRANQUILA?

Guaxupé ainda é uma cidade que oferece uma boa qualidade de vida, não tenho o que questionar. Temos uma boa administração pública. Infelizmente, a violência está em todos os lugares e acredito que só teremos melhoras quando tivermos melhores programas para a educação, saúde e um equilíbrio social e econômico


SUA IMAGEM DIANTE DE TODOS É A DE UMA MULHER DE ESPÍRITO JOVEM E DE BEM COM A VIDA. TANTO É QUERIDA PELOS FAMILIARES QUANTO PELOS AMIGOS. QUAL O SEGREDO DE TANTO CARISMA?

Obrigada por esta colocação. Não sou tudo isso não. Procuro ser companheira e compreensiva na medida do possível. Tudo se resume no carinho e muito amor por todos os que me cercam.


HOMENAGEM ESPECIAL DE SUA FILHA ANA ISABEL



“Minha mãe e eu somos muito diferentes. Ela é conciliadora, justa, altruísta, pacienciosa. Admiro a maneira com que ela lida com todas as situações. Com a maturidade, hoje sou menos ansiosa. Consigo perdoar. Vejo os problemas e situações por um outro ângulo. Foi ela que me ensinou a ser assim.

A melhor lição que tenho recebido dela, sem dúvida alguma, é a de que devemos manter a fé e perdoar sempre.


Observo minha mãe e penso que, toda a trajetória dela na educação e a forma como se dedicou ao ensino deve-se muito à influência do meu avô, Sr. Zizinho. Com ele aprendeu muito e cumpriu seus ensinamentos com dignidade e maestria. Tanto que, com o encerramento das atividades da Folha do Povo, que era a ‘menina dos olhos’ do meu avô, foi bem visível como a tristeza tomou conta do coração da minha mãe. Confesso que, quando vi a porta da redação se fechar para sempre fiquei muito emocionada. Foi como viver um período de luto outra vez, desde a partida do avô Zizinho. Afinal, foram mais de 75 anos de história. Porém, temos de aprender que na vida tudo tem começo, meio e fim. Minha mãe e tios foram persistentes até quanto foi possível. Mas com a era digital, manter o jornal sem ninguém à frente com experiência na área seria humanamente impossível. Contudo, o jornal fez sua história.


Infelizmente, não tenho lembranças do avô Zizinho. Quando ele se foi eu tinha apenas cinco anos de idade. Mas sinto falta de não poder me lembrar dele. Aliás, a única lembrança que tenho relacionada a ele foi da sua missa de sétimo dia. Lembro-me de, ao voltar da igreja, de estar no colo do meu tio mais velho, o José Felipe que, após 11 meses após a partida do meu avô, também nos deixou.

Vejo em minha mãe, também, muito a avó Bela. Assim como ela, minha mãe é ‘raiz’ da família. Aquela que se dedica de verdade. Ajuda no que for preciso. As netas, todos os dias, estão em sua companhia. Não sei como seria minha vida sem o auxílio de minha mãe com relação à minha filha Isabella. E agora tem a Duda e a Clarinha, filhas do meu irmão João Paulo. E a avó Bela era assim, pois, aproveitei muito ela, literalmente, até seu último suspiro. Resta a saudade!


Sendo formada em Fisioterapia há 17 anos, atuei em várias áreas da Ortopedia e Neurologia. Fiz um curso de Estética após a minha graduação. Foi uma paixão. Mas tudo isso não seria possível sem o apoio da minha mãe que sempre me deu muita força nas horas que mais precisei. Tanto que, faz 13 anos que só trabalho com Dermatologia, minha paixão. Sempre procuro me aperfeiçoar e pretendo ir mais longe, ainda mais sabendo que tenho minha mãe me ajudando com minha filha. Sou muito feliz e realizada.


Mas não posso falar de minha mãe sem mencionar o meu pai em minha vida, Paulo Molin. Ele foi a pessoa mais bondosa que existiu. Era amigo de todo mundo. Carismático, simples, boêmio e carinhoso.


Ele deixou o seguinte legado: ‘Temos que aproveitar bem a vida’. Durante o período de sua doença, ouvia sempre a composição de Zeca Pagodinho: ‘Deixa a Vida me Levar’. E acredito que seja por aí mesmo que devemos ir. Meu pai nos deixou cedo, mas cumpriu sua jornada como um grande artista”.

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