Femagri e a força econômica do cooperativismo
- Da Redação

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Por RICARDO DIAS, jornalista e editor da Revista Mídia

Há eventos que movimentam visitantes. Outros movimentam economias inteiras. A Femagri pertence claramente ao segundo grupo.
Durante três dias, Guaxupé deixa de ser uma cidade do Sul de Minas para se transformar em um dos principais centros de decisões da cafeicultura brasileira. Produtores caminham entre máquinas, técnicos discutem manejo, empresas apresentam soluções e negócios começam a ser desenhados ali mesmo, entre um estande e outro. O que se vê vai além de uma feira e se transforma em um retrato vivo da engrenagem econômica que sustenta uma das cadeias produtivas mais importantes do país.
Promovida pela Cooxupé, a Femagri nasceu de uma visão simples e ao mesmo tempo estratégica: aproximar o produtor da tecnologia. O tempo mostrou que essa ideia tinha alcance muito maior. Ao longo de 25 anos, o evento cresceu junto com a própria cooperativa e com a evolução da cafeicultura brasileira.
Hoje, grandes marcas mundiais de máquinas agrícolas, insumos, tecnologia e serviços fazem questão de estar presentes na feira. Não se trata apenas de exposição comercial. A Femagri tornou-se uma vitrine internacional do que há de mais avançado em tecnologia aplicada ao campo, especialmente em uma região que concentra os mais importantes polos de produção de café do mundo.
Mas, talvez, o aspecto mais impressionante da feira esteja nos números que não aparecem nos painéis dos estandes. O volume de investimentos planejados durante os três dias de evento é gigantesco. Os orçamentos realizados pelos produtores para aquisição de máquinas, equipamentos, insumos e tecnologias superam, com folga, o orçamento anual de muitas cidades da região. É dinheiro que circula, que financia modernização das propriedades, que movimenta empresas e que, inevitavelmente, retorna para os municípios na forma de renda, empregos e desenvolvimento. Esse fluxo econômico revela algo que muitas vezes passa despercebido: a cafeicultura não é apenas uma atividade agrícola mas uma estrutura econômica que sustenta cidades inteiras.
A Femagri, nesse contexto, funciona como um catalisador. Em poucos dias, concentra decisões que influenciam investimentos, produtividade e planejamento de centenas de propriedades rurais. Cada equipamento adquirido, cada tecnologia adotada e cada estratégia de gestão discutida ali se transforma, depois, em impacto direto nas lavouras e nas economias locais.
Ao mesmo tempo, a feira tem acompanhado uma mudança profunda na forma de produzir café. A sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental para tornar-se um requisito econômico e estratégico. O mercado internacional exige rastreabilidade, respeito aos recursos naturais e práticas agrícolas responsáveis. Nesse cenário, a Femagri se tornou também um espaço de disseminação de soluções voltadas à preservação do solo, uso eficiente da água, adoção de insumos biológicos e tecnologias que permitem produzir mais com menor impacto ambiental.
Por trás desse movimento está um elemento que sempre marcou a história da Cooxupé: o pioneirismo. Desde sua origem, a cooperativa entendeu que fortalecer o produtor significa muito mais do que receber e comercializar café. Significa oferecer acesso à informação, tecnologia, crédito, conhecimento e mercado. A Femagri é, talvez, a expressão mais visível dessa filosofia. Nela, o cooperado deixa de ser apenas fornecedor de café para se tornar protagonista de um sistema produtivo cada vez mais profissional, mais tecnológico e mais sustentável. A feira fortalece o produtor, amplia sua capacidade de decisão e reforça o papel do café como um dos pilares econômicos do Sul de Minas.
No fundo, o que se construiu ao longo desses 25 anos é algo que vai além de uma feira agrícola. A Femagri tornou-se um espaço onde conhecimento se transforma em investimento, investimento se transforma em produtividade e produtividade retorna à sociedade na forma de desenvolvimento regional. Um ciclo virtuoso que começa nas lavouras, passa pela cooperativa e termina fortalecendo cidades inteiras.
E é justamente por isso que, quando os portões da feira se abrem a cada edição, não é apenas um evento que começa. É um movimento econômico, social e ambiental que se espalha por toda a região - tendo o café, e as famílias que vivem dele, como eixo central dessa história.













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