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Dra. Moema Balbino

A juíza de Direito Moema de Carvalho Balbino, que atualmente comanda Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo em Belo Horizonte, tem suas raízes fortemente ligadas à Guaxupé.

Aos 51 anos - sendo 24 deles dedicados à magistratura mineira, Moema revisitou sua vitoriosa história de vida e sua brilhante trajetória profissional. Entre outras destacadas atuações, participou da criação da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Maria da Penha).


Ela compõe apenas 40% das mulheres que atuam no Poder Judiciário. Para ela, como em todas as áreas de atuação profissional, a mulher tem conquistado certo espaço no Poder Judiciário, “embora lenta e dolorosamente. Ainda compomos menos de 40% do judiciário mineiro e sofremos muito preconceito. As mulheres são minoria nos tribunais de todo o país, apesar de revelarem excelência de conhecimento e dedicação. Ainda há um caminho longo a trilhar e muitas batalhas a serem travadas, para que alcancemos a merecida igualdade”, analisa.


Moema graduou-se em Direito pela Universidade de São Paulo - Faculdade de Direito do Largo de São Francisco) em 1994. Paralelamente, desde 2018, faz cursos na área de psicologia, sobretudo psicanálise e análise transacional. Atualmente, reside em Belo Horizonte, que a acolheu ”mineiramente bem e onde pretendo terminar a minha caminhada”. Ela se casou em 2003 com o advogado José Geraldo e tiveram Luísa, hoje com 14 anos. Atualmente, é divorciada.


É filha de Nicolau Balbino Neto (in memoriam) e Basilia Amelia Marinho de Carvalho Balbino e tem os irmãos Marcos de Carvalho Balbino e o desembargador Paulo de Carvalho Balbino (in memoriam), todos irmãos nascidos em Guaxupé. “Meus pais estiveram sempre na nossa infância, acolhendo também os nossos amigos com carinho e dedicação”.


Moema recorda sua história desde a infância vivida intensamente nas ruas centrais de Guaxupé, sobretudo, a Barão de Guaxupé.


“Tive uma infância deliciosa, cercada do carinho de meus irmãos Paulo e Marcos e dos amigos do Grupo Delfim. Era um tempo em que não havia violência nem medo e, como a porta da rua estava sempre aberta, podíamos chegar e sair das casas uns dos outros a qualquer hora e sem aviso prévio. Íamos à pé para o grupo, passando pela casa do Sr. Mesophante Rios, que nos dava bala logo cedo! Íamos e voltávamos sozinhos à escola, fazíamos os deveres de casa sem ninguém mandar e aproveitávamos muito o tempo livre para brincar, andar de bicicleta, fazer ginástica e nadar. Mantenho as amizades de infância até hoje".


Ela conta que na oitava série, foi estudar no Colégio Grafos, em São José do Rio Pardo, onde cultivou muitas amizades. Cursou até o segundo colegial e, no terceiro, foi para São Paulo, onde seu irmão Paulo já fazia faculdade.


“Guardo lembranças boas de muitos professores! Dona Carlota, a primeira e inesquecível! Como eu já sabia ler, não prestava atenção às aulas. Então, ela teve a ideia de me deixar ler alguma coisa para os colegas ao final do período - desde que eu me comportasse. E assim eu comecei meus estudos gostando de estudar”.


Moema diz que traz no coração boas lembranças dos professores Vânia Sabbag, Marilda Ribeiro do Vale, Aparecida Negrinho - que a fez adorar a língua portuguesa - e, mais ao final dos estudos, um grande professor que se tornou um grande amigo, Marcos Rezende, falecido em janeiro deste ano. “Nas aulas extracurriculares não posso deixar de mencionar a "tia" Lúcia Batista (ginástica rítmica e jazz), a Cecília Pasqua (piano), a Maria Fernanda Guidorizzi (jazz) e, claro, a Mara Borges”.


Ela recorda uma adolescência tranquila circulando entre o Clube Guaxupé, o Country Clube, Clube de Campo, a Avenida Conde Ribeiro do Vale e a sorveteria Dadirce. “Nas férias, passávamos as tardes na praça em que hoje, fica a pamonha da D. Maria, em frente a casa da D. Chida Zerbini e da D. Nana Gabriel. Em outras épocas, também na Praça do Rosário. Muitas vezes, íamos para a minha casa jogar bets (taco) e comer bolo de chocolate”.


Ela recorda também dos amigos desta época aos quais se refere com muito carinho. “Todos muito queridos, entre eles, Ana Beatriz Ribeiro, Andrea e Dani Barbosa, Andréia Cruvinel, Cassio e Cristiane de Oliveira, Cristina Salum Nicolau, Elvira Cruvinel Ferreira, Emídio Neto, Glaucia Gomes Gonçalves, Graziela Ferraz Ribeiro, Kiti Charavalotte, Luciana Leite Ribeiro, Luciana de Lima Bagodi, Lucila de Magalhães Pereira, Malu Zerbini e os gêmeos, Marcos Magalhães, Raquel e Vivi Farah Ferreira, Renata Saad, Silvão... nossa, são tantos!”.


Ela conta que formou-se em Direito em 1994. Chegou a cursar Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas, mas não concluiu, porque perdeu o interesse. “Acredito que escolhi o Direito por influência de meus pais. Mas foi uma excelente escolha porque pude seguir um caminho independente do deles e fazer o que gosto. Atuei em Guaxupé como advogada, durante um ano. Depois de tomar posse na Magistratura mineira, em 1998, atuei na Vara da Infância e Juventude de Belo Horizonte e nas Comarcas de Três Marias e Januária. De volta à capital, em 2003, atuei em varas cíveis e de família, participei da criação da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Maria da Penha) e, atualmente, atuo no Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo de Belo Horizonte”.


Moema explica que está prestes a aposentar e, por isso, vem direcionando sua carreira para a área da psicanálise, “aproveitando minha vida profissional de escuta. Assim, tenho feito atendimentos como voluntária em ambulatórios de entidades filantrópicas”.

Segundo ela, uma das maiores dificuldades da magistratura é a falta de servidores. “O judiciário mineiro não tem servidor, não tem um sistema de informática suficiente - o Processo Judicial Eletrônico - PJE - é falho e deficiente, muito deficiente. Por isso, o excesso de trabalho nos sufoca e nos adoece. Travamos batalhas diárias contra as deficiências, tentando prestar bem a jurisdição, mas nem sempre conseguimos”.


O pai da magistrada, Dr. Nicolau Balbino Filho, foi um dos maiores nomes do segmento de Registros de Imóveis do Brasil, e os livros dele, utilizados por cartórios de todo o país.

“Até hoje, quando digo meu nome em certos ambientes, recebo imensos elogios ao meu pai, que foi considerado, durante muitas décadas, o Papa do Registro de Imóveis neste país e em países latinos. Seus livros circulam do Oiapoque ao Chuí e, muitas vezes, quando chegava em algum extremo do sertão de Minas, via o seu "Registro de Imóveis" todo folheado, repleto de marcadores e isso me emocionava muito. Ele deixou um legado de experiência e sabedoria que eu tenho obrigação de preservar e alimentar”.


Outro grande valor da família Balbino foi o desembargador Paulo Balbino, o terceiro guaxupeano a escrever a história do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Foi ser humano de grande sensibilidade e de enorme cultura, não apenas jurídica. Sua passagem pelo TJMG foi marcada por uma dedicação exemplar e pelo comportamento firme e sempre afável, o que o tornou uma unanimidade entre os magistrados e servidores.


“Paulo foi um magistrado brilhante, também deixou seu legado na área do Direito Empresarial. Mas, muito mais que isso, foi um ser humano solidário, gentil e caridoso. Um homem bom. Um irmão maravilhoso, meu confidente, amigo e conselheiro. Me ajudou a dar os primeiros passos na magistratura, sempre me orientou e ainda sinto muita falta dos seus conselhos profissionais”, diz.


Para aqueles jovens que pretendem seguir carreira no Judiciário, Moema é enfática nas recomendações. “Sempre acreditei que persistência, disciplina e organização são elementos fundamentais para que qualquer profissional alcance sucesso. Estudos, é claro. Mas, acima de tudo, para ser um bom profissional, é preciso humildade. Sim, humildade para aprender, crescer, lidar com o público e transmitir conhecimento”.


Por fim, a magistrada se diz muito honrada por ter sido lembrada pela Revista Mídia, “a qual sou leitora fiel! Saúde, Sucesso, Paz e Bem é o que desejo a todos”.

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