top of page
consórcio 980x250.jpg

CONHEÇA A HISTÓRIA DOS 81 ANOS DO AEROCLUBE DE GUAXUPÉ

Por Sérgio Ferreira Cardoso*



Os 81 anos do Aeroclube de Guaxupé estão sendo comemorados em 2023 e se traduzem em uma reverência a esta instituição octogenária que formou muitos pilotos que hoje são comandantes da aviação civil brasileira.

O primeiro avião a pousar em Guaxupé foi há 106 anos, em 1917, quando nestas terras mineiras pouso o avião francês Blériot pilotado por Luiz Bérgman, um piloto que tinha por vocação se aventurar pelo interior do Brasil para divulgar a aviação, que tinha pouco mais de 10 anos de existência, a partir da famosa decolagem do 14-Bis do mineiro Alberto Santos Dumont em Paris em 1906.


Em Guaxupé a aviação deve ao Aeroclube a propagação e desenvolvimento pois, a partir de 1942, os cursos de piloto privado tiveram um engajamento de muitas pessoas, inclusive, altas autoridades do município que vieram a formar a primeira diretoria.

Para iniciar aviação foi necessário a construção do aeroporto e de um hangar que foi feito a partir de doações através de um “livro de ouro”, no qual a população realizava doações. Dessa forma conseguiram a área do primeiro aeroporto - onde hoje é o bairro Parque das Orquídeas - e a construção de um pequeno hangar com portas de madeira e capacidade para apenas um avião.


Em 1944, chegava o primeiro avião da escola, um Cap-4 Paulistinha prefixo PP-RFG e assim iniciaram as instruções da primeira turma que, dentre outros alunos, havia o Joaquim Cardozo, pai do famoso piloto Toninho Cardozo, que ainda menino, logo chegou para se integrar a turma de alunos. Gabriel Archanjo Baisi, o Bié Baisi, que passaria a ser o nome referência da aviação por ter sido eleito presidente do aeroclube por 10 gestões e, juntamente com outros abnegados, conseguiram manter de pé esta instituição que tanto honra Guaxupé e região.



Como a estrutura da aviação em Guaxupé já era uma realidade, através dos possantes aviões Douglas DC-3 com a capacidade de 27 passageiros, empresas aéreas iniciaram a operação de linhas aéreas com ligação para Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo com escalas em diversas cidades.


Em 1949 ocorria um acidente fatal no aeroporto de Guaxupé, quando Alexandre Volta, então diretor do aeroclube, foi realizar um voo local no avião Vultee BT-15 da FAB, que estava em Guaxupé e que levaria o Capitão Lepiane para São Paulo. Alexandre demonstrou vontade em voar o Vultte BT-15, a qual foi atendida pelo 2º Tenente Aly Cândido de Paula e, após um curto voo de 15 minutos, vieram para o pouso, tendo o avião colidindo violentamente com o solo, tendo os dois tripulantes falecido na hora.


Em 1952 o Aeroclube de Guaxupé recebeu convite para se juntar a cerca de 300 aviões de outros aeroclubes e particulares para participação na audaciosa “Revoada da Amizade” que aconteceu em Buenos Aires. Para lá se dirigiram os comandantes Bié Baisi e Venâncio Souza Dias, com o avião Piper PA-17 prefixo PP-DYG. A viagem iniciou-se em Guaxupé e após várias escalas, pousos de emergência, chuva, frio e algumas ocorrências pelo caminho, conseguiram chegar na capital da Argentina, sendo inclusive recepcionados pela então primeira-dama do país, Evita Perón, no palácio Casa Rosada.



Com o passar dos anos, os aviões do aeroclube foram sendo trocados por outros mais novos dotando o aeroclube com equipamentos de ponta para a época.


Em 1967 chegava o Aeronca 0-58B prefixo PP-RBG que está no aeroclube até hoje. Este avião, que completa em 2023, 80 anos de idade, foi utilizado na Segunda Guerra Mundial, com missões de patrulhamento da costa americana, atuando com a designação militar L-3. Veio para o Brasil logo depois do término do conflito, em princípio para o Aeroclube de Juiz de Fora e depois para Guaxupé, onde está há 56 anos. Inúmeros pilotos civis se formaram e pilotaram este avião e hoje trabalham em importantes companhias aéreas como Azul, Gol e Latam.


O Aeroclube de Guaxupé formou muitos pilotos e sempre ocorria quando do voo solo (quando o aluno voa sozinho). Ao final, o acontecimento do banho de óleo queimado, que acontece logo após a aterrissagem solo do piloto.


A Esquadrilha da Fumaça sempre teve presença em Guaxupé, seja pelas festividades de aniversário da cidade, participando da semana da Festas das Orquídeas ou nos eventos do Aeroclube de Guaxupé. E um dos líderes que mais visitaram a cidade foi o lendário Coronel Braga, que inclusive, veio sozinho com o seu T-6, em apresentação que ele fez em 1988.

O novo aeroporto de Guaxupé foi inaugurado em 1981. A atual pista de 1.560 metros é asfaltada podendo receber aviões de médio porte, inclusive com condições de operar linhas aéreas, como ocorreu há alguns anos com a Companhia Voa Minas, com linhas para Belo Horizonte com escala em Passos.


O Aeroclube foi convidado e participou de duas revoadas na década de 80. Em 1984, os dois aviões do aeroclube - o Cap-4 PP-HFL e o Aeronca PP-RBG - foram até Curitiba participar da Revoada de Velhas Águias e, em 1987, foram até Porto Alegre participar do Encontro Brasileiro de Aviões Antigos e Clássicos - evento que o Aeroclube ganhou dois troféus, um deles por ter levado o avião antigo de origem mais longe (o Aeronca, fabricado em 1943) e o piloto mais antigo em atividade (Bié Baisi), na ocasião com 75 anos.



Em 1986 o Aeroclube participo da Expoagro de Guaxupé, com a coordenação de Mário Neto e Sérgio Cardoso. Além do material exposto - como motor de avião, hélices, cartazes, aeromodelo e um farto material como revistas, livros e folders ofertado pela Academia da Força Aérea de Pirassununga, Todo material evio em um avião militar T-25 após um pedido formal feito pelo Clube Juvenil de Aviação criado por Sérgio Cardoso.


No dia 29 de maio de 1988, durante as comemorações de mais um aniversário do Aeroclube de Guaxupé, ocorreu o triste acidente aéreo que vitimou Bié Baisi e Mário Neto. Durante um treinamento no curso de piloto privado, o avião Cap-4 PP-HFL precipitou-se ao solo, tendo falecido o instrutor e presidente do Aeroclube, além do promissor aluno. Abateu-se na cidade uma profunda comoção devido a grande popularidade que ambos gozavam na sociedade, tendo sido representada nas amizades que se sucederam nas homenagens durante a semana após o triste acontecimento.


* O AUTOR é escritor e historiador da aviação brasileira, tendo escrito 4 livros sobre o tema, dentre eles, “Voos Pioneiros”, publicado em 1991. O livro retrata a história da aviação guaxupeana desde o início, contemplando também o paraquedismo, linhas aéreas e as curiosas histórias dos aviadores guaxupeanos, dentre eles Gabriel Archanjo Baisi, Antonio Cardozo, Alaor Mancini, Venâncio Souza Dias, Olavo Barbosa, Mário Neto Ribeiro do Valle, dentre outros.



Comments


wtzp.png

Receba notícias do Portal MÍDIA no WhatsApp!

Para fazer parte do canal CLIQUE AQUI

bottom of page